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Antiga sede do DIAP transformada em casas de luxo

Esta vai ser a futura fachada do Scenic (edifício mais alto na imagem), na rua Gomes Freire

d.r.

Projeto é da Louvre Properties, uma renovada promotora imobiliária que anda à procura de mais prédios para comprar

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

Lisboa, Rua Gomes Freire, número 18. Não é na Avenida da Liberdade, nem no Chiado nem no Príncipe Real, mas sim junto ao Campo Mártires da Pátria, em Lisboa. É aqui, num prédio de escritórios que há 10 anos era ocupado pelo Departamento de Instrução e Ação Penal de Lisboa (DIAP), que surgirá o Scenic, um novo edifício de habitação de luxo que representa um investimento total de €11 milhões.

Terá 26 apartamentos distribuídos por 10 pisos e, como o nome indica (Scenic significa ‘panorâmica’ em inglês), tem como característica principal a vista de 360º sobre a cidade. Contudo, não é de todos os andares. “As vistas sobre o rio começam no piso 5. No piso 4, 3 e 2 as vistas são principalmente para o jardim do Campo dos Mártires da Pátria”, diz ao Expresso Augusto Homem de Mello, o responsável de marketing e de vendas da Louvre Properties, a empresa que está a promover o projeto. Já no piso 1, a falta de vista é compensada com jardins e piscinas privativas.

Valências que vêm com um custo: entre €505 mil e €1,3 milhões ou entre €4500 e €9500 por m2. Mas que não são um problema na hora de vender, ainda mais agora que o mercado português — e em particular o lisboeta — está ao rubro. A comercialização começou em outubro do ano passado e já se venderam 23 dos 26 apartamentos, dos quais 85% foram para portugueses. “A média tem sido vender tudo em cerca de seis meses”, diz. E em planta, ou seja, apenas com o projeto de arquitetura fechado e nada construído.

De facto, as obras do Scenic, que é o segundo projeto da Louvre, arrancaram em dezembro de 2017 e a estimativa é de que tudo esteja pronto no verão de 2019, ou seja, falta mais de um ano para quem ali comprou casa começar a usufruir dela.

Mas esta conjuntura não é nova para a empresa. O primeiro projeto que começaram a desenvolver, o Alexandre Herculano 41 (ver caixa ao lado), já está todo vendido e as obras só terminam no primeiro trimestre de 2019.

E nos outros dois projetos que estão a começar agora, um na Rodrigo da Fonseca e outro na Rosa Araújo, “já há uma shortlist de interessados”, mas as obras só começam em julho e ainda não está sequer definido um preço por metro quadrado, conta Augusto Homem de Mello.

Receitas de 50 milhões

Só com as vendas do Alexandre Herculano 41 e dos 23 apartamentos do Scenic, a Louvre já obteve receitas de €50 milhões. A este valor vai ser preciso adicionar as receitas obtidas com as vendas das três casas que faltam vender do Scenic — que deverão rondar €1,5 milhões — e as receitas das vendas dos outros dois projetos que já estão a começar e que pretendem começar a comercializar até ao final do primeiro trimestre de 2018. E ainda de outro edifício em Campo de Ourique que deverão começar a desenvolver em 2019. Ou seja, as perspetivas são boas, principalmente tendo em conta que, até agora, a Louvre investiu apenas €35 milhões na compra dos cinco prédios e ainda nas obras dos Alexandre Herculano 41 e do Scenic.

Empresa renovada

A Louvre Properties é uma promotora imobiliária portuguesa, mas de capitais estrangeiros, dos EUA, Norte da Europa e Ásia, nomeadamente de Hong Kong. Surgiu em 2015 como Louvre Capital, mas a semana passada apresentou-se como Louvre Properties.“Foi um rebranding porque achámos que, com o nome atual, é mais evidente a ligação ao imobiliário que é aquilo que fazemos, ou seja, compra e reabilitação de imóveis, principalmente, residenciais”, explica Augusto Homem de Mello.

Para já estão focados em Lisboa e em desenvolver os cinco projetos já referidos — Alexandre Herculano, Scenic, Rodrigo da Fonseca, Rosa Araújo e Campo de Ourique — mas o objetivo é comprar mais cinco imóveis este ano, estando a olhar não só para o centro, mas também para a zona de Marvila ou do Beato. A aquisição de um deles já está prestes a concretizar-se, diz Augusto Homem de Mello, ficando a faltar apenas quatro.

“Temos o capital, agora temos de encontrar os imóveis. Não é difícil convencer um investidor internacional a vir para Lisboa. É preciso encontrar os ativos certos para dar o retorno rápido que eles exigem”, diz. Contudo, há limites para o que podem gastar. “Cerca de €20 milhões é mais ou menos o máximo que podemos pagar pelo edifício fora a construção. Caso contrário deixa de ser rentável”, conclui.

OUTROS PROJETOS EM CURSO

Alexandre Herculano 41

Fica na Avenida Alexandre Herculano, em Lisboa, e tem 21 apartamentos. Os preços oscilam entre €4500 e €5800 por metro quadrado ou entre €290 mil e €690 mil e já está todo vendido. Foi comprado a um particular, ao contrário do Scenic que foi comprado à Norfin, uma gestora de fundos

Fica na Avenida Alexandre Herculano, em Lisboa, e tem 21 apartamentos. Os preços oscilam entre €4500 e €5800 por metro quadrado ou entre €290 mil e €690 mil e já está todo vendido. Foi comprado a um particular, ao contrário do Scenic que foi comprado à Norfin, uma gestora de fundos

Rodrigo da Fonseca 11

Foi a sede do Banif, em Lisboa mas há algum tempo que o banco já não ocupava as instalações que foram entretanto arrendadas a uma incubadora de empresas chamada Fábrica de Startups. A Louvre comprou o banco já vazio e é um projeto ainda em desenvolvimento, mas que arranca este semestre

Foi a sede do Banif, em Lisboa mas há algum tempo que o banco já não ocupava as instalações que foram entretanto arrendadas a uma incubadora de empresas chamada Fábrica de Startups. A Louvre comprou o banco já vazio e é um projeto ainda em desenvolvimento, mas que arranca este semestre