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1/3 das empresas recruta nas redes sociais

O LinkedIn é a plataforma mais conhecida, mas o mundo das redes para profissionais é vasto

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Em quatro anos, a contratação através de redes como o LinkedIn mais do que triplicou na Europa

Catia Mateus

Catia Mateus

Jornalista

Pode uma empresa recrutar um talento através do Instagram? Pode, sobretudo se se tratar de um criativo. Pode um académico ou um jornalista destacar-se aos olhos de um recrutador através das suas partilhas no Twitter? Acontece em grande parte dos casos. Pode um executivo conquistar uma nova posição a partir de uma troca de mensagens no LinkedIn? É o mais comum nos dias de hoje. As redes sociais mudaram drasticamente o mercado do recrutamento. Para 56% das empresas europeias as redes sociais já são o palco preferencial para a identificação de talento, segundo dados do gabinete de estatísticas europeu Eurostat, recentemente divulgados. Em Portugal os valores estão um pouco abaixo disto, rondando os 30%. O valor mais do que triplicou em quatro anos e entre os especialistas é já consensual que o perfil digital dita o destino dos candidatos.

Pedro Caramez, consultor e formador em social recruiting (recrutamento via redes sociais), fala de um novo paradigma global do recrutamento e do recrutador. “Durante muito tempo as empresas lançavam no mercado oportunidades, em várias plataformas, e esperavam que os candidatos aparecessem. Hoje estão muito mais proativas no recrutamento e também correm atrás dos candidatos, escolhendo as plataformas que agregam o seu perfil preferencial para identificar talento”, explica. E embora o LinkedIn seja a rede social de âmbito profissional mais popular entre empresas e candidatos, há muitas outras. Tantas quantas as áreas de atividade que o mercado agrega. Tantas quantos os objetivos dos candidatos quando criam um perfil social online.

Isto porque nem todos os candidatos estão online para encontrar emprego. Alguns têm apenas interesse em partilhar conhecimento, outros em conhecer as últimas tendências do mercado na sua área de especialização, outros ainda em partilhar o seu trabalho e conhecer o dos seus pares. Para tudo isto servem as redes sociais e a tudo isto estão atentos os recrutadores e as empresas. E as próprias plataformas têm vindo a adaptar-se para dar resposta a esta nova tendência de posicionamento dos profissionais e de referenciação de talento por parte das organizações.

O Facebook, tendencialmente uma plataforma social mais lúdica, lançou recentemente o Facebook Jobs que permite às empresas partilhar oportunidades de emprego. Uma opção que para Pedro Caramez “poderá rivalizar diretamente com o LinkedIn e que vai tornar-se muito relevante durante este ano”. O Google criou também no último ano o Google Hire e o Jobs. A primeira opção permite às empresas otimizar a gestão dos candidatos online. A segunda simplificou para os candidatos a forma como pesquisam emprego online, agregando a informação de várias fontes.

Há sectores mais permeáveis do que outros a esta nova tendência de recrutamento e empresas mais adeptas da nova modalidade. Segundo o Eurostat, é nas grandes empresas e em sectores como as Tecnologias de Informação que o recrutamento e a identificação de talento mais se têm transferido para o online. Mas há outros. Turismo e imobiliário também estão a registar particular dinâmica nestas plataformas.

Para Pedro Caramez, o mercado está em clara mudança e enfrenta múltiplos desafios até no campo ético (ver texto ao lado). Para o especialista em plataformas sociais, 2018 será marcado por um aumento claro do recrutamento através das plataformas sociais e de “novas práticas e métodos de divulgação de oportunidades através destes meios digitais”. O recruitment marketing — estratégia das empresas para atrair, envolver e relacionar-se com talento antes da contratação — também vai estar na ordem do dia para as empresas a braços com a dificuldade de contratar. É que, relembra Pedro Caramez, “mais de 80% dos candidatos não se encontram ativamente à procura de emprego. São candidatos passivos” e muitos deles são especialistas em áreas com forte défice de profissionais.