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Trump ‘culpado’ de semana de perdas nas bolsas mundiais

O índice mundial dos mercados de ações caiu mais de meio por cento esta semana pressionado por uma queda de 1,4% nas bolsas de Nova Iorque. Praças da zona euro caem ligeiramente. Lisboa regista ganhos. BCE continua a segurar espaço da moeda única face a escalada protecionista vinda de Washington

As bolsas mundiais perderam esta semana 0,56%, segundo o índice MSCI global. Os mercados de ações mudaram de trajetória, depois de terem registado ganhos de 2,8% na semana anterior, em que resistiram à ameaça de guerra comercial vinda da Casa Branca e ao choque político em Itália, depois das eleições de 4 de março.

Esta semana os mercados financeiros começaram a levar mais a sério o “risco Trump”. As saídas e demissões na Casa Branca sucedem-se, a especulação sobre futuras mexidas no gabinete não para, e a escalada de protecionismo da Administração Trump começa a dominar as atenções. A partir de 23 de março, no final da próxima semana, o pacote de tarifas alfandegárias sobre o aço e o alumínio importados entra em vigor e a Casa Branca ameaça com um conflito comercial potencial dirigido especificamente à China.

Do lado das contas federais, o défice orçamental atingiu 215 mil milhões de dólares (€175 mil milhões) em fevereiro, o mais elevado em seis anos. As receitas caíram 9% e a despesa subiu 2% em relação a período homólogo no ano anterior. Os analistas atribuem o agravamento do défice aos primeiros efeitos do 'choque fiscal' aprovado em dezembro pelo presidente Trump, que esta semana ironizou com a possibilidade de uma "segunda fase" nos cortes de impostos.

Nova Iorque perde 1,4%

O principal fator de recuo das bolsas mundiais veio de Nova Iorque. As duas bolsas norte-americanas perderam 1,38% durante a semana, segundo o índice MSCI, apesar de um fecho na sexta-feira em terreno positivo. A praça de Nova Iorque registou quatro sessões no vermelho durante a semana. O principal índice de Wall Street, o Dow Jones 30, caiu 1,54% em termos acumulados. O índice para o sector bancário afundou 2,7%.

No entanto, foi na América Latina que se registou a maior queda regional. O índice MSCI para a região perdeu 2,54% durante a semana. Muito superior ao recuo de 1,38% em Nova Iorque. As bolsas latino-americanas mais fustigadas foram a mexicana e a brasileira.

BCE segura mercados da zona euro

A zona euro e a Europa no seu conjunto registaram quedas semanais de 0,2% e 0,4% respetivamente, segundo os índices MSCI respetivos. Um dos índices europeus de referência, o Eurostoxx 600 (das seiscentas principais cotada europeias), recuou 0,14%. Já o Eurostoxx 50 (das cinquenta principais cotadas da zona euro) avançou 0,5%.

A bolsa de Lisboa ficou em terreno positivo, com o índice PSI 20 a registar um ganho semanal de 0,2%, puxado pela Altri (subida de 7,9%) e a Energias de Portugal (avanço de 4,5%). As bolsas de Madrid e Milão registaram melhores desempenhos do que Lisboa. Os piores desempenhos semanais na Europa ocorreram nas bolsas de Estocolmo, Londres e Zurique.

A zona euro continua a beneficiar do efeito positivo da política monetária expansionista do Banco Central Europeu (BCE), apesar do choque político eleitoral em Itália e de, em Espanha, o governo de Mariano Rajoy continuar a não conseguir aprovar o Orçamento Geral do Estado para 2018 e a crise catalã prosseguir sem fim à vista.

Inflação baixa obriga Draghi a prudência

Esta semana, o presidente e o economista-chefe do BCE reafirmaram numa conferência em Frankfurt uma estratégia de prudência na retirada futura dos estímulos monetários na zona euro, em virtude de múltiplos riscos que permanecem. O termo “gradual” começou a ser usado e Peter Praet, o economista-chefe, sublinhou inclusive em entrevista à Reuters que "os mercados esperam que evitemos efeitos de penhasco", ou seja que o BCE dê sinais ou tome decisões no sentido, por exemplo, de uma morte súbita do programa de compra de ativos no final de setembro ou de uma precipitação na subida das taxas diretoras que estão em mínimos históricos.

A trajetória da inflação na zona euro continua a não ser “convincente” e a não dar margem de manobra para o anúncio a curto prazo da ‘normalização’ da politica monetária do BCE. Em fevereiro caiu para 1,1%, um mínimo de 14 meses, segundo os dados divulgados esta semana pelo Eurostat, organismo que inclusive reviu em baixa – em uma décima – a primeira estimativa (1,2%) que havia avançado no final de fevereiro para a inflação desse mês.

  • O Eurostat reviu em baixa esta sexta-feira a estimativa inicial de 1,2% para a inflação na zona euro em fevereiro. É a taxa de inflação mais baixa desde dezembro de 2016. Grécia, Itália e Portugal reportaram níveis de inflação em fevereiro abaixo de 1%