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“DN” e RTP mexem nas direções

Foto Natacha Brigham/TVMais

Passagem do “DN” a semanário está a ser avaliada, mas não será liderada por Baldaia. Na RTP, decisões aguardam que administração tome posse

A direção do “Diário de Notícias” e as direções de informação e de programas da RTP estão em vias de mudar nas próximas semanas. Os processos estão em curso, mas as alterações só deverão ser comunicadas em abril. No caso do “DN” porque a administração ainda não definiu quem sucederá a Paulo Baldaia. Na RTP porque a nova administração ainda não tomou posse e não avançará com as mudanças que está a planear enquanto a equipa liderada por Gonçalo Reis não estiver em funções.

A saída de Baldaia da direção do “DN” deverá ocorrer até ao final de março, apurou o Expresso. O jornalista não comenta as informações que apontam para a sua saída iminente do cargo e constata apenas que ainda é diretor do título. A administração da Global Media também recusa dar a informação como certa e garante que ninguém foi sondado ou convidado para substituir a atual direção. Mas o Expresso sabe que a rutura entre Baldaia e a administração, não sendo formalmente assumida, é um dado adquirido dentro da empresa.

Na origem da sua saída esteve a falta de acordo com a administração em relação ao desenvolvimento da proposta da atual direção do “DN” de passar a edição impressa do jornal para um formato semanal — distribuído ao domingo —, num processo que seria acompanhado por uma renovação da oferta online. Paulo Baldaia chegou a convidar jornalistas no início do ano para reforçar a redação no âmbito deste projeto, mas semanas depois — ao perceber que não teria condições para avançar já — retirou as propostas. Posteriormente, ao verificar que a aposta no plano de semanário que tinha delineado não estava posta de parte, acordou com a administração que seria melhor ser nomeada outra direção para preparar o futuro do jornal. Um futuro que a administração assegura que está a ser trabalhado, não estando ainda fechado nenhum projeto alternativo ao atual.

Mudanças na RTP ‘presas’ pelas Finanças

Esta semana foi noticiado pela TSF que José Fragoso estaria de regresso à RTP para preencher a vaga de Daniel Deusdado na direção de programas. Dias antes, o “JN” adiantava que Paulo Dentinho seria substituído na direção de informação pelo jornalista Carlos Daniel. Contactado pelo Expresso, Fragoso não confirma as notícias que dão como certo o seu regresso à estação pública e recusa comentar o processo em curso na RTP. Até ao fecho desta edição, o Expresso não conseguiu contactar Paulo Dentinho e Carlos Daniel.

Estas notícias motivaram a reação do presidente da estação pública, que continuará em funções no próximo mandato. Em declarações à Lusa, Gonçalo Reis não confirmou essas movimentações mas também não desmentiu que estejam a ser equacionadas. Disse apenas que “eventuais ajustes em direções, de conteúdos e não só”, serão “sempre tratados com toda a ponderação, no devido momento, que ainda não chegou, e cumprindo os procedimentos adequados”. Em causa estará o facto de a administração da RTP estar a estudar estas alterações nas suas direções, não tendo no entanto ainda feito convites por só poder formalizar decisões depois de tomar posse. Para que isso aconteça falta ainda luz verde do Ministério das Finanças ao nome de Verónica Soares Franco, do Conselho de Administração da Via Porto, para administradora financeira. A autorização está por dar há mais de um mês.

Antes das declarações de Gonçalo Reis, as notícias sobre a saída de Dentinho já tinham motivado um comunicado da Comissão de Trabalhadores, que exigia à administração “um imediato e cabal esclarecimento público”. “O diretor de informação não se demitiu nem aceitou qualquer cargo [de diretor da RTP Internacional ou outro]”, diz ao Expresso a CT. E denuncia o que considera ser “um atropelo ao processo de nomeação”, sublinhando que, enquanto estiver “em gestão corrente”, a administração “não pode demitir um diretor de informação”. Segundo o Expresso apurou, a administração, quando questionada sobre o assunto, admitiu a existência de conversas informais, sem que estas correspondessem a um convite ou demissão. Também esta quinta-feira, no Parlamento, o ministro da Cultura, Luís Filipe Castro Mendes, disse que a notícia da saída de Dentinho “é falsa e não se confirma”. O que é mais do que o próprio presidente da RTP assumiu dois dias depois.