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Como ser muito bonzinho e ganhar muito dinheiro?

RUI DUARTE SILVA

Paulo Azevedo dá a receita

É possível "ganharmos muito dinheiro e sermos muito bonzinhos"? Paulo Azevedo, presidente da Sonae SGPS, diz que isso exige uma "receita secreta", mas o seu grupo já a encontrou. O segredo está na inovação, garante.

Vestido com calças de ganga da Salsa, uma das insígnias no portfólio da Sonae Sports& Fashion, o gestor fez questão de manifestar o seu orgulho na "forma muito própria de ser rentável" da empresa quando abriu um capítulo para a responsabilidade social na apresentação de contas do grupo e apresentou números como as 1.400 instituições apoiadas, 1.600 voluntários e 7.200 horas de voluntariado, mais de 10 milhões de euros de apoios diretos à comunidade.

"Esta maneira que temos de tentarmos ser rentáveis e termos responsabilidade social implica um secret sauce qualquer, uma receita para ser possível ganharmos muito dinheiro e sermos muito bonzinhos. O nosso secret sauce esta na inovação", afirmou Paulo Azevedo.

Assim, o investimento em inovação, investigação e desenvolvimento no retalho atingiu os 105 milhões de euros no ano de 2017. Cresceu 2% face a 2016. Representou 0,34% das vendas dos negócios de retalho da Sonae. Abrangeu mais de 660 projetos e 423 parceiros em 30 países de 4 continentes, indica o “Livro de Inovação do Retalho 2017".

No conjunto do exercício, as vendas da Sonae somaram 5,7 mil milhões de euros. São mais 7,01% ou 381 milhões num ano, o que significa um crescimento de mais de um milhão de euros por dia. O investimento total do grupo ficou um pouco abaixo deste valor, nos 316 milhões de euros. Os lucros somaram 166 milhões de euros ou 454 mil euros/dia, o que representa uma quebra 22,9% face ao exercício anterior, mas também representa um crescimento de 6,5% excluindo as mais valias com a alienação de ativos imobiliários.

Ao mesmo tempo a dívida líquida foi reduzida em 8,4% ou 103 milhões de euros, para 1,215 mil milhões, o que dá à empresa "outra condição de arrojo para crescer, porque está com um balanço sólido".

E no futuro próximo, no horizonte de crescimento do grupo está a internacionalização do Continente, designadamente em África, depois da parceria minoritária com o grupo Satya, liderado por Mohamed Ibrahim, e do trabalho de prospeção de mercado feito em 2017. Quanto aos mercados alvo em África, a única certeza é que Angola está excluída.