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Bolsas continuam nervosas. Nova Iorque não sai do vermelho e Ásia fecha semana com perdas

O mercado de ações norte-americano encerrou na quinta-feira no vermelho pela quarta sessão consecutiva. O ‘risco Trump’ continua a pairar. O índice mundial vai na terceira sessão sucessiva de perdas. Tóquio e Xangai fecham esta sexta-feira no vermelho.

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas continuam nervosas. O ‘risco Trump’ associado à iminência de uma guerra comercial global pressiona negativamente os mercados de ações.

Ontem, Nova Iorque fechou com perdas e hoje a Ásia encerrou, globalmente, também no vermelho, com destaque para quedas em Tóquio, Xangai, Hong Kong e Mumbai. O índice MSCI para a Ásia Pacífico recuou esta sexta-feira 0,1%.

A Europa abriu mista, ainda sem tendência definida. O PSI 20, em Lisboa, iniciou a sessão em terreno positivo. Os analistas esperam esta manhã a divulgação pelo Eurostat da segunda estimativa da inflação na zona euro em fevereiro, que deverá confirmar a descida do índice de preços, o que reforça a prudência mantida pelo Banco Central Europeu (BCE) no que toca à 'normalização' da política monetária. A primeira estimativa apontou para 1,2% em fevereiro, a inflação mais baixa desde dezembro de 2016.

A praça de Nova Iorque fechou na quinta-feira no vermelho, segundo o índice MSCI para as duas bolsas norte-americanas que caiu 0,1%, apesar de ganhos no índice Dow Jones 30, dos pesos pesados cotados em Wall Street. O mercado de ações norte-americano regista quatro sessões consecutivas em terreno negativo, de acordo com o índice MSCI. As perdas acumuladas nestas sessões somam 1,4%.

As demissões e saídas na equipa da Casa Branca agravam este clima. As tarifas alfandegárias norte-americanas sobre o aço e o alumínio importados entram em vigor na próxima sexta-feira e está em preparação um pacote específico em relação à China que foi, ontem, contestado pela própria Câmara de Comércio dos Estados Unidos.

O mau desempenho das bolsas de Nova Iorque e da América Latina na quinta-feira pressionou negativamente o índice mundial que fechou ligeiramente abaixo da linha de água, apesar de ganhos de 0,3% nas bolsas da zona euro. As bolsas mundiais acumulam uma perda de quase 1% nas últimas três sessões, segundo o índice MSCI global.

Política monetária do BCE é fator positivo nos mercados da zona euro

A reafirmação da estratégia de cautela do BCE no que respeita a uma futura descontinuação da política de estímulos é um fator com impacto positivo nos mercados da zona euro contrabalançando os riscos associados a guerras comerciais e à incerteza sobre a situação política italiana.

Esta semana Mario Draghi, presidente do BCE, e Peter Praet, economista-chefe, sublinharam no encontro The ECB and Its Watchers em Frankfurt que a trajetória da inflação continua a não ser convincente e que, por isso, a política de estímulos continua, sem que os dois responsáveis tenham dado sinais do que acontecerá depois de terminar no final de setembro o prolongamento do atual programa de compra de ativos.

Sublinharam, ainda, a importância do plano de reinvestimentos do capital que o BCE receber nas amortizações dos títulos que tem em carteira, e que foram adquiridos ao abrigo do atual programa de aquisições. Mesmo depois de terminado o programa de compras, o volume dos reinvestimentos por, pelo menos, mais dois anos funcionará como contenção da subida do custo de financiamento dos Estados membros do euro e dos juros dos empréstimos bancários.