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STPT é contra a criação do conselho consultivo laboral na Altice Portugal

Representante de cerca de 1800 trabalhadores da Portugal Telecom, o STPT, é contra a criação do conselho consultivo para as relações laborais na Altice Portugal. Trata-se, defende, de uma forma de evitar o contacto direto dos sindicatos com os trabalhadores

O Sindicato dos Trabalhadores do Grupo Portugal Telecom (STPT), presidido por Jorge Félix, é desde o início contra a criação do conselho consultivo para as relações laborais, por considerar que se trata de um mecanismo que irá colocar uma barreira entre os trabalhadores e os sindicatos, o que é prejudicial para a defesa dos seus direitos.

"É uma maneira de a Altice nos afastar do contacto directo com os trabalhadores e isso não faz sentido", disse Jorge Félix ao Expresso. A Altice, recorde-se, é dona da Portugal Telecom.

O STPT é um sindicato independente, não está afecto a nenhuma central sindical, e Jorge Félix embora admita que possa causar desconforto a possibilidade de João Proença, o ex-líder da UGT, vir a integrar o conselho consultivo, sublinha que a questão que o preocupa é a mesmo criação deste órgão.

"Não são precisos intermediários entre os trabalhadores e a administração. Queremos falar diretamente com a administração. É desnecessário", sublinhou.

Alexandre Fonseca, presidente da Altice Portugal, antiga PT, disse esta semana que tinha convidado João Proença, ex-secretário geral da UGT, para ser um dos líderes do conselho consultivo. João Proença considera o desafio aliciante, mas já disse ao Eco que só aceitará o convite se achar que este órgão irá "contribuir positivamente para a paz social".

A ideia de criar o conselho consultivo para as relações laborais surgiu segundo a Altice para pacificar as relações com os trabalhadores e os sindicatos. Foi anunciada a 19 de janeiro, numa reunião com as organizações representantes dos trabalhadores da Altice, na sequência da polémica e da greve geral convocada também por causa da transmissão de trabalhadores da PT para empresas do grupo liderado por Patrick Drahi.

Jorge Félix congratulou-se com a afirmação de Alexandre Fonseca, numa entrevista à TSF e DN, de que os despedimentos não estavam nas prioridades da Altice. "É um compromisso que assumem. É bom saber isso".

Alexandre Fonseca disse, porém, nesta entrevista, que já disse aos sindicatos que a Altice não vai reverter o mecanismo de transmissão de estabelecimento que levou à saída de 150 trabalhadores da PT para empresas do grupo Altice.