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"Nenhum retalhista do mundo  nos assusta na área alimentar" 

A frase é de Paulo Azevedo, confiante no futuro apesar da concorrência estar a aumentar com a vinda da Mercadona para Portugal. Sobre a entrada do retalho em bolsa, os trabalhos de casa ainda estão a começar, mas há interesse dos investidores, garante. Sobre o pai, Belmiro de Azevedo, "ainda não vos consigo falar", diz.


A Sonae "respeita muito" a Mercadona e até elogia o grupo espanhol que está a preparar a abertura de nove lojas no Norte de Portugal, a partir de 2019. "É um grande player, de um país próximo, com uma história de crescimento", diz Paulo Azevedo, presidente da Sonae SGPS. Mas também avisa: "nenhum retalhista do mundo nos assusta no retalho alimentar".

Na conferência de imprensa de apresentação de resultados do grupo, o presidente da Sonae SGPS, que detém o Continente, entre outras insígnias nesta área, comentou que a Sonae sabe, por experiência própria, como é difícil começar negócios na área do retalho em mercados maduros, com boa concorrência.

A justificar a confiança, referiu que o seu grupo "não deixou de fazer o trabalho de preparação" e combina "uma posição competitiva muito forte, com uma qualidade de operação que é muitas vezes referenciada lá fora como única".

"Não nos faltam argumentos", acrescentou o co-presidente executivo da Sonae SGPS, Ângelo Paupério, sublinhando que o seu grupo já está habituado a ver chegar concorrentes, do Carrefour, ao Lidl, Intermaché ou Auchan, e, também "a ver alguns partir"

A Mercadona, a investir 25 milhões de euros para entrar em Portugal, já tinha anunciado a abertura de lojas em Vila Nova de Gaia, Matosinhos, Maia, Gondomar e, esta semana, alargou a lista de cidades a conquistar no norte do país ao Porto, Braga, Penafiel e Barcelos.

Mais uma empresa em bolsa no horizonte

A chegada da Mercadona ao mercado nacional coincide com um momento em que o grupo Sonae analisa a entrada do negócio de retalho em bolsa. No entanto, sobre este tema, o grupo diz apenas que está a listar um portfolio no retalho e que quer manter uma posição maioritária.

A administração da Sonae não pode responder a questões sobre as insígnias abrangidas, timings ou valores ou bancos com os quais vai trabalhar e apresenta uma razão simples: "Ainda não sabemos", diz Paulo Azevedo. A empresa só comunicou que vai estudar este processo porque "faz parte das regras dar nota ao mercado", acrescenta.

No entanto, o presidente da Sonae SGPS destaca o facto de "cada vez com mais frequência os investidores mostrarem interesse" nessa possibilidade e sublinha que o próprio processo de desenvolvimento interno da empresa, que veio dar mais autonomia às equipas de gestão, permite acreditar que estão criadas condições para avançar.

"Nunca tivemos medo de ter mais empresas cotadas, de ter mais informação do mercado, de estarmos sujeitos a críticas e avaliações", diz Paulo Azevedo.

Manter o controlo sem spin-off

"Em nenhum cenário se coloca a possibilidade de perdermos o controlo", acrescenta o seu co-presidente executivo Ângelo Paupério. E também não está em causa "alterar a configuração da Sonae, como por exemplo um projeto de spin-off".

O plano colocado em cima da mesa não contempla a solução encontrada no passado para a Sonae Indústria ou a Sonae Capital, que estão cotadas em bolsa e saíram do universo da Sonae SGPS porque a empresa considerou que não fazia parte da sua "visão de futuro ter uma holding com capacidade de acrescentar valor e gerir negócios tão distintos como esses".

"Acreditamos que somos um bom zelador nos negócios de telecomunicações e de retalho, que também inclui os centros comerciais", comentou Paulo Azevedo.

Sobre o que levou à saida de bolsa da Modelo Continente, em 2006, Ângelo Paupério disse apenas que entre o passado e o momento presente "os mundos são diferentes" e Paulo Azevedo acrescentou que "a empresa também é muito diferente".

A homenagem a Belmiro

Na apresentação de contas da Sonae, que fechou 2017 com lucros de 166 milhões de euros e um crescimento do volume de negócios de 7,1%, para os 5,7 mil milhões de euros, num desempenho qualificado como "bom", Paulo Azevedo não se esqueceu de fazer uma referência ao pai, Belmiro de Azevedo, que morreu a 29 de novembro.

"Foi o ano mais triste na história da Sonae", afirmou Paulo Azevedo. Emocionado, acrescentou apenas: "ainda não vos consigo falar sobre este tema, mas gostava muito de falar".

Ângelo Paupério procurou, então, continuar, referindo que 2017 fica "marcado pela partida do engenheiro Belmiro". "Foi o nosso líder, inspirador. É a alma da nossa cultura. É a nossa referência. Vamos querer honrá-lo fazendo a sua vontade que é cumprir a missão que connosco construiu, que é criar valor económico e social, no longo prazo, levando os benefícios do progresso a um número cada vez maior de pessoas".