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Lucros da Sonae descem para 166 milhões. Dividendos sobem 5%

Rui Duarte Silva/Expresso

"2017 foi um bom ano para os negócios da Sonae", afirma Ângelo Paupério, co-presidente executivo do grupo

A Sonae SGPS fechou 2017 com lucros de 166 milhões de euros. É menos 22,9% do que em 2016, mas não é "diretamente comparável", afirma a empresa em comunicado. E explica: excluindo mais-valias relativas à alienação de ativos imobiliários, o resultado líquido cresce 6,5%.

O volume de negócios do grupo aumentou 7,1%, para 5,719 mil milhões de euros, "com todos os negócios a crescer". "Considerando o conjunto das empresas sob influência de controlo, o volume de negócios agregado cresceu 6,3%, para 7,6 mil milhões de euros" e o EBITDA passou os mil milhões de euros.

"2017 foi um bom ano para os negócios da Sonae que continuaram a crescer a bom ritmo e progrediram significativamente no desenvolvimento da sua estratégia. Também a nível global evoluímos na construção de um portefólio de negócios mais autónomos, focados e flexíveis", sublinha o co-presidente executivo da empresa, Ângelo Paupério, na abertura do comunicado de apresentação dos resultados do grupo.

Assim, considera que a Sonae está preparada para continuar a gerir os seus negócios "com elevados padrões de governação corporativa, nomeadamente como empresas cotadas ou integrando parcerias estratégicas".

Em termos consolidados, o EBITDA caiu 3,1% para 396 milhões de euros, mas o EBITDA subjacente aumentou 6,9%, para 336 milhões de euros, a refletir o "impacto positivo líquido de 53 milhões de euros na rubrica de itens não recorrentes, beneficiando, sobretudo, dos ganhos de capital obtidos nas operações de sale and leaseback concluídas, o que prejudica a comparabilidade entre períodos", refere o comunicado.

Investimentos de 726 milhões

Neste exercício, o investimento global das empresas do perímetro de controlo do grupo somou 726 milhões de euros. No universo consolidado da Sonae SGPS, o investimento foi de 316 milhões, 5,5% do volume de negócios, e foi canalizado para a abertura de novas unidades, lançamento de novos negócio e reforço da internacionalização e do serviço ao cliente.

Em inovação, investigação e desenvolvimento no retalho, o grupo investiu 105 milhões de euros, em mais de 660 projetos.

Por empresas, na Sonae MC o investimento foi de 164 milhões de euros, na Worten atingiu os 45 milhões de euros, na Sonae Sports & Fashion totalizou 40 milhões de euros, na Sonae RP ascendeu a 41 milhões e na Sonae IM totalizou 19 milhões.

O resultado financeiro melhorou em 19,5%, para um valor negativo de 36 milhões de euros, com redução da dívida líquida média e de uma diminuição do custo médio das linhas de crédito utilizadas.

A Sonae fechou 2017 com uma dívida líquida de 1.112 milhões de euros, o que representa uma descida de 8,4%. Já o investimento ("capex") totalizou 316 milhões de euros.

"O bom desempenho operacional e financeiro do Grupo permitiu um alto nível de investimento e a manutenção de uma política de dividendos crescentes, ao mesmo tempo que fortalecemos uma estrutura de capitais já sólida, com redução da dívida em 8,4% acompanhada do alargamento de maturidade e redução de custo", refere Ângelo Paupério.

Quanto ao futuro, o co-presidente executivo da Sonae deixa uma nota de otimismo, mas sem esquecer uma referência ao passado da empresa e a Belmiro de Azevedo: "Estamos , assim, preparados e confiantes para enfrentar os desafios do futuro, conscientes da qualidade da nossa equipa, do valor e da cultura e do exemplo que nos foi deixado pelo Eng. Belmiro de Azevedo, que temos como referência e que pretendemos honrar, cumprindo a nossa missão de criar valor económico e social, levando os benefícios do progresso e da inovação a um número crescente de pessoas".

Para isso, a estratégia é continuar "a investir nas avenidas de crescimento, em particular na área da saúde e bem-estar, e a privilegiar parcerias que potenciam o valor dos nossos ativos como foi o caso da criação da ISRG (Iberian Sports Retail Group) no sector do desporto", concluída já em 2018.

Mais 1.700 postos de trabalho

Presente em 90 países, a Sonae SGPS criou mais de 1.700 postos de trabalho e fechou o ano com 45 mil trabalhadores.

Nas contas consolidadas por negócio, o retalho soma um volume de vendas de 5,646 mil milhões de euros, mais 6,8%, "apoiado pela evolução em todos os negócios". No segmento alimentar, o volume de negócios foi de 3,884 mil milhões de euros, o que representa uma subida de 5,4%, impulsionada pela expansão da rede de lojas (mais 19 lojas Continente Bom Dia e um Continente Modelo). No universo comparável de lojas a subida das vendas foi de 1,2%.

Na Worten, o volume de negócios aumentou 10,2% em termos homólogos, passando pela primeira vez os mil milhões de euros, suportado pela subida de 7,7% das vendas num universo comparável de lojas e por um salto de 60% na operação online.

A Sonae Sports & Fashion, com vendas de 589 milhões de euros, cresceu 11,1%, a beneficiar da consolidação com a Salsa, mas também da evolução dos outros negócios no seu perímetro.

A Sonae RP, responsável pela gestão do portfólio de imobiliário de retalho da Sonae, fechou o ano com 20 lojas Continente, 60 lojas Continente Modelo e 30 lojas Continente Bom Dia, a que corresponde um valor contabilístico líquido de 903 milhões de euros. Em 2017, concluiu duas operações de sale and leaseback de cinco ativos, no valor de 37 milhões de euros, com um ganho de 11 milhões.

Na Sonae IM, o volume de negócios aumentou 7,9%, para 126 milhões, num exercício marcado pela entrada no capital de empresas como a Ometria, Artic Wolf e Secucloud.

O volume de negócios da Sonae FS (serviços financeiros), atingiu os 24 milhões, mais 38,9%. O número de subscritores do Cartão Universo ultrapassou os 600 mil.

Na Sonae Sierra, o volume de negócios aumentou 7%, para 224 milhões de euros e a variação de vendas dos lojistas num universo comparável cresceu 3,2% na Europa e 6,8% no Brasil.

A NOS manteve a tendência de crescimento em todos os serviços core e viu as receitas operacionais aumentarem 3,1% em termos homólogos, para 1,562 mil milhões de euros.