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Escolha de João Proença para gerir relações laborais na antiga PT gera desconforto

Alexandre Fonseca anunciou na terça-feira que escolheu João Proença, ex-líder da UGT, para negociar em nome da Altice Portugal com os sindicatos. Uma decisão que aparentemente não agrada aos representantes dos trabalhadores

Alexandre Fonseca disse na quarta-feira em encontros com jornalistas e quadros da empresa que está empenhado em promover a paz social dentro da Altice Portugal. E anunciou, conforme noticiou o Jornal Económico, que tinha convidado João Proença, ex-líder da UGT, para o conselho consultivo de relações laborais.

Uma notícia que, sabe o Expresso, não caiu bem junto dos representantes dos trabalhadores, que souberam da escolha de João Proença pelos jornais. Não querem comentar a decisão publicamente porque ainda não foram informados dela, mas vão dizendo que o nome não será consensual, até porque os três maiores sindicatos do sector das telecomunicações e audio-visuais - SINTTAV, STT, SNTCT - são filiados na CGTP. Estes três sindicatos representam cerca de 60% dos trabalhadores sindicalizados do antigo operador histórico, hoje controlado pela Altice.

"Se querem escolher João Proença para negociar com os sindicatos parece-me que vão ficar a falar sozinhos. O que nos tinham dito quando sugeriram criar o conselho consultivo de relações laborais era que iriam escolher para ele pessoas independentes e que não tivessem vínculos partidários", disse ao Expresso um representante sindical ligado à Altice Portugal.

Em entrevista à TSF e ao DN, Alexandre Fonseca adiantou que João Proença será um dos líderes do conselho consultivo e que já teve um par de conversas com ele. "Queremos e vamos ter estabilidade laboral na Altice em Portugal", afirmou.

A ideia de criar o conselho consultivo para as relações laborais surgiu segundo a Altic para pacificar as relações com os trabalhadores e os sindicatos. Foi anunciada a 19 de janeiro, numa reunião com as organizações representantes dos trabalhadores da Altice, na sequência da polémica e da greve geral convocada também por causa da transmissão de trabalhadores da PT para empresas do grupo liderado por Patrick Drahi.