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Ativos da Associação Mutualista engordam à custa do banco Montepio

Luís Barra

Balanço da associação valoriza participação de 100% no banco em 1,878 milhões de euros. Em 2016, 94,7% valiam 1,666 milhões de euros. Sem este ganho, ativo da associação teria encolhido uma vez que, só na carteira de títulos, perdeu 710,7 milhões no ano passado

João Silvestre

João Silvestre

Editor de Economia

Num ano em que esteve envolto em enorme polémica, o valor contabilístico da Caixa Económica Montepio Geral – o banco Montepio – para a Associação Mutualista aumentou em 211,7 milhões de euros. O número está inscrito nas contas individuais da associação hoje divulgadas que contabilizam o banco em 1,878 milhões de euros. Este valor, já descontado das imparidades, compara com 1,666 milhões de euros em 2016. Mesmo considerando que, em 2016, a associação apenas tinha 94,7% do banco e actualmente detém a totalidade do capital, trata-se de uma valorização significativa.

O banco Montepio é, de resto, o grande responsável pela valorização do ativo da associação mutualista que engordou em 205 milhões de euros no ano passado. Além do banco, apenas houve valorização dos “ativos tangíveis” em 22,5 milhões de euros de de 675 mil euros em "empréstimos a associados". Pelo contrário, houve uma desvalorização expressiva na “carteira de títulos” (710,7 milhões de euros) e quedas de menor dimensão em rubricas como as “outras participações financeiras” (72,6 milhões) ou as “disponibilidades e aplicações em instituições de crédito” (35 milhões de euros).

A valorização do banco Montepio das contas da associação complica – e já complicou – a entrada de investidores no capital, nomeadamente da Santa Casa Misericórdia cuja avaliação pedida ao banco Haitong aponta para um valor bastante inferior ao registado no balanço da mutualista.