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EDP ganha mais em 12 dias na bolsa do que lucra num ano

A EDP teve, em 2017, um resultado líquido de €1113 milhões e distribuiu aos seus acionistas €690 milhões em dividendos

josé caria

Desde o início do mês, a elétrica presidida por António Mexia já valorizou 1,18 mil milhões de euros, com a capitalização bolsista novamente acima dos 11 mil milhões

Miguel Prado

Miguel Prado

Jornalista

A EDP vive em bolsa um dos melhores momentos dos últimos meses. As suas ações estão a subir desde 1 de março e ao longo dos últimos 12 dias acumularam uma valorização de quase 12%, o equivalente a 32 cêntimos por ação, ou 1185 milhões de euros em termos absolutos.

O bom momento da elétrica em bolsa traduz-se no seguinte: a capitalização bolsista da EDP já subiu mais neste arranque de março do que o grupo lucra num ano inteiro (em 2017 a EDP teve um lucro de 1113 milhões de euros). Atualmente, a EDP está a valer em bolsa 11,1 mil milhões de euros.

Logo após apresentar as contas de 2017 as ações da EDP chegaram a cair, mas desde então os títulos vêm seguindo uma trajetória de valorização. Uma das maiores subidas foi registada a 8 de março, depois de a EDP anunciar um refinanciamento de 2,2 mil milhões de euros com um conjunto alargado de bancos.

Mas não foi o único fator a impulsionar. Esta terça-feira a EDP chegou a valorizar mais de 1,3% em bolsa, refletindo um interesse acrescido dos investidores pelo sector energético, sobretudo por causa da operação de consolidação anunciada entre as alemãs RWE e E.On.

A E.On, que chegou a disputar a privatização da EDP, em 2011, irá avançar com uma troca de ativos com a RWE, que resultará no intercâmbio de participações e na separação entre as unidades de produção de eletricidade (sobretudo de origem renovável) e os negócios de redes de distribuição e comercialização de energia.

A consolidação poderá alimentar as expectativas de que também a EDP venha a entrar numa vaga de grandes negócios no sector energético europeu. Desde agosto do ano passado que há rumores de que a espanhola Gas Natural Fenosa estaria interessada numa fusão com a EDP.

Ambas as empresas negam que haja qualquer diligência nesse sentido. Seja como for, uma eventual aliança ibérica traduzir-se-ia numa diluição de participações (incluindo a do Estado chinês, que já tem mais de 28% da EDP). A Gas Natural Fenosa tem uma capitalização bolsista que é cerca do dobro da EDP.

EDP Renováveis também em alta

A EDP Renováveis, que no ano passado a EDP tentou tirar de bolsa, sem sucesso, vive igualmente uma tendência de valorização. As ações na manhã desta terça-feira subiam mais de 0,3%, cotando a 7,425 euros. Um valor já não muito distante do valor de entrada em bolsa (8 euros por ação), que a EDP Renováveis nunca conseguiu recuperar depois de dispersar 22,5% do seu capital.

A atual cotação da EDP Renováveis, que vem sendo um dos motores do crescimento do grupo EDP, está em níveis que já não se verificavam desde outubro de 2009. E alimentará, para quem entrou na dispersão de capital feita em 2008, a esperança de recuperar o capital investido (8 euros por ação).

Presente em mais de uma dezena de mercados, a EDP Renováveis continua a expandir a sua capacidade instalada, quase sempre com recurso à negociação de contratos de longo prazo para a venda da energia, quer através de contratos com compradores empresariais (nos Estados Unidos da América, por exemplo), quer através de leilões (como acontece no Brasil).