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O que vai animar esta semana os mercados financeiros

Nuno Fox

Dados finais sobre a inflação em fevereiro na zona euro, emissões de dívida, nomeadamente a portuguesa na quarta-feira, palavras de Draghi num evento do BCE, e negociações Trump-Kim. Guerra comercial e governo italiano estão em compasso de espera até 23 de março

Jorge Nascimento Rodrigues

Esta semana os mercados financeiros poderão ser afetados – positiva ou negativamente – por quatro “temas” – a inflação em fevereiro na zona euro e em vários países membros; uma vaga de emissões de dívida obrigacionista na zona euro, nomeadamente por alguns periféricos, com destaque para a ida de Portugal ao mercado na quarta-feira com dois leilões de obrigações a 10 e 30 anos; um encontro do BCE em que as palavras do seu presidente vão ser seguidas com toda a atenção; e o andamento da preparação do encontro entre Donald Trump e Kim Jong-un em maio, um dos eventos que determinarão o risco geopolítico nos próximos tempos.

Dois outros riscos que pairam sobre os mercados derivam de uma iminente guerra comercial desencadeada pelas tarifas aduaneiras lançadas pela Administração Trump e da incerteza sobre o futuro do governo da terceira maior economia do euro, depois dos resultados das eleições em Itália a 4 de março. No entanto, os momentos decisivos ocorrem a 23 de março, na próxima semana. Pelo que, esta semana poderão estar em segundo plano. As bolsas e os mercados de dívida resistiram na semana passada a estes dois eventos.

No que toca mais diretamente à zona euro, as emissões de dívida poderão confirmar ou não a contínua descida das taxas que os Estados pagam no seu endividamento e as palavras de Draghi na quarta-feira serão lidas para confirmar ou não se a política monetária do BCE continua sem alterações, apesar de um corte de uma frase na comunicação oficial, e sem dar sinais do que vai fazer a partir de final de setembro.

Inflação na zona euro

Semana de divulgação dos dados da inflação em fevereiro na zona euro. Uma vaga de publicação de dados sobre a inflação de fevereiro começa esta segunda-feira com os divulgados pelo Instituto Nacional de Estatística em Lisboa e prossegue, ao longo da semana, com os de Espanha, Alemanha, França, Itália e, finalmente, da zona euro na 6ª feira.

Recorde-se que, na estimativa preliminar, a inflação na zona euro caiu para 1,2% em fevereiro, o nível mais baixo desde dezembro de 2016. Na conferência de imprensa que se seguiu à reunião do BCE na quinta-feira passada, o presidente Mario Draghi referiu que no resto do ano a variação de preços poderá subir para 1,5%. No final do ano, a projeção do BCE aponta para 1,4%, abaixo da previsão mais otimista de 1,5% feita em dezembro passado.

Estes níveis baixos de inflação impedem a normalização da política monetária do BCE, ou seja, o início da descontinuação dos estímulos convencionais (taxas diretoras) e não convencionais (programa de compra de ativos).

Leilões de dívida em Itália, Portugal e Espanha

Portugal vai ao mercado obrigacionista na quarta-feira e poderá pagar as taxas mais baixas de sempre nos títulos a 10 anos.

É uma semana em que se realizam leilões de dívida em alguns periféricos do euro, que começam em Itália na terça-feira, prosseguem em Portugal no dia seguinte e continuam na quinta-feira em Espanha.

Os resultados dos leilões serão importantes para averiguar se os periféricos continuam a colocar dívida pagando juros em níveis historicamente baixos.

Palavras de Draghi dia 14

O Banco Central Europeu (BCE) vai estar em foco na 4ª feira. Mario Draghi, o presidente, abre em Frankfurt a conferência anual The ECB and its Watchers organizada desde 1999 pelo Instituto para a Estabilidade Monetária e Financeira. O primeiro painel versa sobre a avaliação do programa de compra de ativos (QE) e sobre a normalização da política monetária.

Entretanto, o Banco de Pagamentos Internacionais (BIS, na sigla em inglês), a organização mundial dos bancos centrais, divulgou, no domingo, o seu relatório trimestral, incentivando os principais bancos centrais (leia-se Reserva Federal norte-americana com reunião marcada para 21 de março; BCE; e Banco do Japão) a não terem “medo da volatilidade” e a prosseguirem no caminho da “normalização” (ou seja, na descontinuação das políticas de estímulos convencionais e não convencionais) pois “alguma volatilidade” é “saudável” e pode ser “sua amiga”.

Tratado de Paz entre Coreia do Norte e EUA

A acalmia geopolítica reduz nervosismo nos mercados. A semana continua a ser marcada pela preparação do encontro em maio entre o presidente dos EUA e o líder da Coreia do Norte. Pyongyang avançou com a ideia de um Tratado de Paz após o encontro, segundo o jornal Dong-A Ilbo da Coreia do Sul.

Riscos adiados

Outros fatores que poderão reduzir o risco nos mercados esta semana derivam do adiamento do impacto do terramoto eleitoral em Itália e do compasso de espera na guerra comercial global iniciada pela Administração Trump.

As duas Câmaras do Parlamento italiano, divididas em três blocos (Movimento 5 Estrelas, coligação de direita liderada pela Liga, e coligação de centro-esquerda liderada pelo Partido Democrático, que se mantém à frente do governo em funções), reabrem a 23 de março. As negociações para um eventual governo apoiado por uma maioria iniciam-se então e não se vislumbra que sejam rápidas. Entretanto, mantém-se o governo de gestão pró-euro.

As tarifas aduaneiras lançadas por Trump sobre as importações de aço e de alumínio só entram em vigor a 23 de março. Uma semana de compasso de espera para ver como fica a configuração de isenções.