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Morreu a Ricon. A Gant quer continuar em Portugal

José Coelho/ Lusa

Marca sueca reafirma importância do mercado nacional. Objetivo é "continuar a estar perto dos clientes" , garante

A Gant AB, com sede na Suécia, "aguarda pelo desenlace das questões legais relacionadas com a falência do grupo Ricon / Delveste para determinar uma nova estratégia para o mercado português". Em comunicado, esta é a primeira tomada de posição do grupo depois do longo braço-de-ferro que ditou o encerramento da Ricon, no final de janeiro, deixando 800 trabalhadores no desemprego

Em discurso direto, Patrik Nilsson, presidente executivo da Gant, afirma que a "a Gant Portugal sempre foi um mercado importante para a Gant AB, sendo mesmo um dos mais forte para a marca em termos globais". "Como tal, é com grande tristeza que vemos o nosso distribuidor português a não conseguir dar continuidade à parceria que vínhamos desenvolvendo", acrescenta.

"Sabemos que os nossos clientes têm sido afetados, mas é nossa intenção voltar a estar perto deles, assim que todas as questões legais relacionadas com esta situação estejam ultrapassadas", acrescenta o gestor.

E junta um agradecimento: "gostava de agradecer pessoalmente toda a paixão e entrega dos trabalhadores portugueses para com a Gant e dizer-lhes o quanto apreciei os esforços que desenvolveram ao longo destes tempos conturbardos".

Assim, a marca de roupa, acessórios e artigos de moda fundada em 1949, nos EUA, hoje presente em 70 mercados, com 750 lojas próprias a que junta mais de 4 mil retalhistas, abre a porta ao regresso ao mercado nacional, mas sem explicar o modelo escolhido para o fazer.

Nos ultimos 26 anos, a Gant teve uma parceria com a Ricon/Delveste, que envolveu produção e comercialização da marca, mas em janeiro as oito empresas e 20 lojas do seu parceiro português entraram em insolvência, com uma dívida de mais de 30 milhões de euros.

Em dezembro, Pedro Silva, patrão da Ricon, já tinha escrito aos seus trabalhadores, dando conta de “estrangulamentos financeiros” que deixavam o o subsídio de Natal em risco e uma sombra de falência sobre o grupo. Mas o empresário acreditava que a Gant Company poderia ainda aceitar uma proposta em que entregava o universo Ricon, incluindo a empresa (Delveste) representante da Gant em Portugal, desde que a multinacional se comprometesse a repor os níveis de encomendas às unidades produtivas e assegurasse a sobrevivência do ramo fabril.

Dois grupos têxteis de Barcelos, a Sonix e a Valerius, já manifestaram interesse em instalações e contratações de trabalhadores da ex-Ricon.