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Terramoto eleitoral em Itália e guerra comercial de Trump não abalam bolsas

No balanço da semana, o índice mundial dos mercados de ações subiu 2,8%. Apesar do bom desempenho, ainda não recuperou da semana negra de fevereiro. Os ganhos mais elevados registaram-se esta semana para o conjunto da zona euro e em Nova Iorque. Bolsa italiana liderou subidas na zona euro. PSI 20 em Lisboa sobe 1%

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas reagiram bem esta semana ao cataclismo político nas eleições legislativas em Itália a 4 de março e ao reforço da política protecionista por parte da Administração Trump com a concretização das tarifas aduaneiras em relação ao aço e ao alumínio importados.

O índice mundial MSCI ganhou 2,76%. No caso da bolsa de Lisboa, o índice PSI 20 avançou 1%, ficando abaixo dos ganhos semanais do conjunto da zona euro.

Os ganhos mais elevados durante a semana registaram-se para o índice MSCI para o conjunto da zona euro, que subiu 3,1%, e para o índice relativo às duas bolsas de Nova Iorque, que avançou 3,6%.

Ou seja, em termos de índices agregados, os melhores desempenhos verificaram-se precisamente, por um lado, na zona da moeda única abalada pelo terramoto eleitoral na sua terceira maior economia e, por outro, nos Estados Unidos, epicentro dos primeiros passos em direção a uma guerra comercial.

Nasdaq fixa novo máximo histórico

O sector tecnológico deu cartas. Na bolsa das tecnológicas de Nova Iorque, a subida semanal do índice Nasdaq situou-se nos três primeiros lugares à escala mundial, com ganhos acima de 4%, tendo como companhia as bolsas mongol e egípcia.

O índice composto do Nasdaq fixou inclusive na sexta-feira um novo máximo histórico ao fechar em 7560,81 pontos, ultrapassando o pico de 26 de janeiro.

Nas cotadas em Nova Iorque, o sector dos semicondutores ganhou 4,9% e o da biotecnologia avançou 4,7%.

Protecionismo de Trump é ainda limitado

Os mercados financeiros negociaram na convicção de que o movimento protecionista da Administração Trump é limitado.

Não antecipam um pacote de direitos aduaneiros tão vasto como o que foi gerado a partir de junho de 1930 pela aprovação da tristemente famosa Lei apresentada pelo senador Reed Smoot e pelo deputado Willis C. Hawley, que desencadeou uma guerra comercial global que aprofundou a Grande Depressão e deitou achas para o clima de pré-guerra mundial.

Os analistas, também, não esperam, por ora, um efeito dominó, em virtude da reação moderada da China e das pressões para que a Comissão Europeia não se precipite numa retaliação.

Caso este quadro se altere, o 'sentimento' dos mercados poderá sofrer uma reviravolta.

'Via dolorosa' em Itália mantém governo de gestão pró-euro

Em relação a Itália, apesar da vitória de dois partidos tidos como disruptivos – o Movimento 5 Estrelas considerado “anti-sistema” e a Liga (ex-Liga Norte) que mantém uma posição de saída do euro e que passou a liderar a coligação de direita com Berlusconi -, os analistas sublinham “a via dolorosa” (na expressão usada por uma nota do Commerzbank) de negociações para a tentativa de formação de um governo com apoio maioritário.

As duas câmaras do Parlamento reabrem a 23 de março e o início de negociações deverá iniciar-se em abril. Entretanto, face à divisão parlamentar em três blocos – Movimento 5 Estrelas, coligação de direita e coligação de centro-esquerda – sem maioria e às divergências entre eles, o governo de gestão, liderado pelo Partido Democrático, pró-euro, mantém-se em funções, adiando algum choque político na zona euro. Refletindo estas expetativas de curto prazo, em Milão, o principal índice bolsista, o MIB, subiu 3,8% durante a semana, liderando os aumentos nas praças da zona euro.

Coreia e BCE acalmam riscos

A expetativa de um descongestionamento na Península coreana – com o anuncio de um encontro em maio entre o presidente dos Estados Unidos e o líder da Coreia do Norte – diminuiu os riscos geopolíticos no painel de bordo dos analistas.

A garantia dada por Mario Draghi de que o Banco Central Europeu (BCE) a que preside não alterou, por ora, a estratégia monetária expansionista matou no ovo qualquer reação negativa nos mercados.

O italiano desvalorizou o corte de uma frase no comunicado oficial após a reunião desta quinta-feira, frase que fora introduzida em 2016. A frase referia explicitamente a possibilidade de um prolongamento do programa de compra de ativos ou de um aumento do seu volume mensal.

As primeiras decisões sobre o futuro dos estímulos do BCE parecem estar adiadas até à reunião de 14 de junho.

Bolsas continuam abaixo do pico de janeiro

Apesar dos ganhos recentes, as bolsas ainda não recuperaram da trajetória de descida dos índices desde finais de janeiro e, em particular, da semana negra de 5 a 9 de fevereiro. O índice MSCI mundial está ainda 4,5% abaixo do pico de 26 de janeiro.

As piores situações, nas principais praças financeiras, registam-se nas bolsas de Tóquio, Xangai, Londres e para o conjunto da zona euro. O índice global para a bolsa nipónica está 8,2% abaixo do pico de 24 de janeiro. No caso de Xangai, o índice composto fechou na sexta-feira 7% abaixo do máximo naquela mesma data. Em Londres, o índice FTSE global mantem-se num nível 6,4% inferior ao pico de 12 de janeiro.

Para a zona euro, a distância para o pico a 25 de janeiro é ainda de 6,3%, o mesmo se passando para o PSI 20.

No caso dos Estados Unidos, o índice global para as bolsas de Nova Iorque ainda está 2,9% abaixo do pico de 26 de janeiro, mas no caso do Nasdaq já fixou novo máximo histórico.

A evolução das bolsas nas próximas semanas dirá se, a seguir ao pico de janeiro se iniciou uma fase descendente do ciclo de ganhos que se iniciou em 2016, ou se as praças vão regressar a novos máximos históricos. As bolsas mundiais ganharam 5,6% em 2016 e 21,6% em 2017. No caso da zona euro, os ganhos só regressaram em 2017, com uma subida de 23,7% do índice geral, depois de três anos consecutivos no vermelho.