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Doshi. O indiano que trabalhou com Le Corbusier e venceu o Pritzker

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A componente social e sustentável das suas obras foi decisiva na escolha do júri

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

Chama-se Balkrishna Doshi mas gosta de ser tratado por Doshi. Nasceu em Pune, na Índia, a 26 de agosto de 1927, a poucos meses de completar 91 anos, ganhou o Prémio Pritzker, o nobel da arquitetura.

“Ao longo dos anos criou sempre uma arquitetura que é séria, nunca espampanante ou seguidora de tendências”, pode ler-se na nota do júri. Mas foi a componente social e ambiental dos seus trabalhos que pesou na decisão final.

“Doshi está extremamente ciente do contexto no qual os edifícios estão localizados. As suas soluções têm em conta as dimensões sociais, ambientais e económicas e, por isso, a sua arquitetura está totalmente ligada à sustentabilidade. Ele usa pátios, terraços e passagens pedonais cobertas, espaços que protegem do sol, recebem aragens de vento e promovem o conforto (...). O planeamento da comunidade, a escala, a criação de espaços públicos, semipúblicos e privados são um testemunho do seu entendimento de como as cidades funcionam e da importância do urbanismo”, acrescenta ainda o mesmo texto.

Não é por isso de admirar que o seu primeiro projeto, nos anos 50, tenha sido precisamente de habitação social na Índia. “Parece-me que tenho de fazer um juramento e lembrar-me dele a minha vida toda: poder dar às classes mais baixas a habitação adequada”, diz.

Doshi tem muitos projetos em Ahmedabad, Índia, onde tem o ateliê, criado em 1956. Começou com dois arquitetos e agora são cinco sócios, 60 arquitetos e 100 projetos, um deles o Amdavad Ni Gufa, uma galeria de arte subterrânea

Doshi tem muitos projetos em Ahmedabad, Índia, onde tem o ateliê, criado em 1956. Começou com dois arquitetos e agora são cinco sócios, 60 arquitetos e 100 projetos, um deles o Amdavad Ni Gufa, uma galeria de arte subterrânea

FOTO VSF e Prémio Pritzker

Doshi começou a estudar arquitetura em Bombaim em 1947, ano em que a Índia se tornou independente, e pouco depois estava a caminho de Londres, de barco. Logo de seguida, sem sequer saber falar francês, mudou-se para Paris onde foi aprendiz de Le Corbusier, considerado um dos maiores arquitetos do século XX.

Em 1954 regressou à Índia onde trabalhou com outros dos nomes grandes da arquitetura — Louis Khan —, durante dez anos.

Mas foi Le Corbusier quem mais o marcou. “Devo este prestigiado prémio ao meu guru Le Corbusier. Os seus ensinamentos levaram-me a descobrir uma nova expressão contemporânea promotora de um habitat sustentável”, diz Doshi, no comunicado da Fundação Hyatt. São eles que atribuem este prémio desde 1979, tendo já distinguido os arquitetos portugueses Siza Vieira e Souto de Moura.