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Descodificador: 5G sim, mas devagar

Nuno Botelho

A Anacom, empurrada por Bruxelas, quer dar gás à quinta geração móvel, mas os operadores não se mostram entusiasmados

Estamos a caminho da quinta geração móvel em Portugal?

Sim. A Anacom anunciou esta semana que vai auscultar os operadores (MEO, NOS e Vodafone) e a sociedade civil para saber o que é que têm a dizer sobre a quinta geração móvel. O 5G, como é conhecido, vai permitir usar um novo espectro, sobretudo a faixa dos 700 MHz. O objetivo é ter mais espectro e com isso uma maior largura de banda, que permita oferecer, com maior qualidade, serviços que prometem ser o futuro, como a chamada internet das coisas, e as comunicações entre máquinas. Não é apenas a faixa de 700 MHz que estará disponível, há outras, mas esta é a mais adequada. A Anacom quer também saber se os operadores preferem leilão ou concurso público

Há países onde o 5G já arrancou?

Arrancar, arrancar, ainda não arrancou em nenhum país. Mas a faixa dos 700 MHz, segundo informação recolhida pelo Expresso junto da Anacom, já foi atribuída em países como a Alemanha, Finlândia, França e Islândia. Estes países libertaram as licenças para esta faixa sobretudo através de leilão, com múltiplas rondas. O avanço da atribuição de licenças que permitiram operar na quinta geração móvel está a fazer-se por pressão da Comissão Europeia, que quer que ela se torne uma realidade rapidamente. A Anacom pretende que a libertação da faixa de 700 MHz para serviços de comunicações eletrónicas esteja concretizada em meados de 2020. A Anacom adiantou esta semana que está já a trabalhar com as congéneres de Espanha e Marrocos para coordenar a utilização das frequências.

Os operadores estão ansiosos para que chegue a 5G?

Nem por isso. Por eles, a quinta geração móvel seria adiada para as calendas. Porquê? Acham que ainda há muito por explorar no 4G, cujas possibilidades e largura de banda ainda não estão esgotadas. Há inclusive em curso experiências com o 4,5G. Sabem, além disso, que terão de fazer investimentos de milhões, nomeadamente na aquisição das licenças. E ainda estão escaldados com o leilão competitivo que tiveram de enfrentar no 3G, em 2011, modalidade que os obrigou a desembolsar €372 milhões. Defendem ainda que o badalado futuro da internet das coisas está distante. Por isso, preferem que o 5G chegue, de preferência, devagar.

Vai mudar alguma coisa?

Sim. A faixa dos 700 MHz é também a que é usada na televisão digital terrestre (TDT). E foi decidido pela Comissão Europeia que seria agora usada nos serviços de comunicações eletrónicas, por isso ela terá de migrar para outra faixa de frequências. Ou seja, o Governo terá de decidir o que irá fazer face a esta matéria e para onde passa a TDT, que tantas dores de cabeça tem dado. “Para assegurar o direito dos consumidores a terem acesso a televisão gratuita, a Anacom tem vindo a analisar os custos e benefícios de um conjunto de soluções e cenários de migração da atual rede”, garante o regulador liderado por João Cadete de Matos.