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Carlos Tavares fica com lugar de Nuno Mota Pinto no Montepio

Carlos Tavares tem a cargo uma reforma que irá mexer com os poderes do Banco de Portugal e da CMVM

Marcos Borga

O ex-ministro da Economia vai presidir ao conselho de administração do Montepio e acumular temporariamente a liderança da comissão executiva. Nuno Mota Pinto desce a administrador executivo

Carlos Tavares, ex-presidente da Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM), foi convidado para presidir ao conselho de administração da Caixa Económica Montepio Geral (CEMG) e aceitou. O convite estendeu-se também à presidência da comissão executiva.

Ficará enquanto não for indicado um nome para a função de presidente, para a qual tinha sido indicado Nuno Mota Pinto, sabe o Expresso. O ex-diretor do Banco Mundial, Mota Pinto, continua a fazer parte da lista para os órgãos sociais do banco mas apenas como administrador executivo.

A Associação Mutualista Montepio Geral (AMMG), liderada por Tomás Correia, já havia enviado ao Banco de Portugal uma lista com os nomes para os órgãos sociais do banco, mas teve de os alterar. A lista com o nome de Carlos Tavares já está no regulador, e o Expresso sabe que há urgência em aprovar os novos órgãos sociais. A ainda atual equipa da CEMG, liderada por Félix Morgado, está há quase três meses à espera de ser substituída, ou seja, está em gestão corrente.

Carlos Tavares terá em princípio de deixar o cargo de assessor da administração Caixa Geral de Depósitos .

O que mudou?

Carlos Tavares vai ocupar um lugar que estava previsto ser preenchido por Francisco Fonseca da Silva, membro do conselho geral e de supervisão da CEMG. Era o seu nome que estava apontado para presidente do conselho de administração (chairman), mas foi afastado depois de ter sido noticiado que empresas que controla tinham créditos no Montepio, no valor de cerca de 2 milhões de euros. É uma situação de conflito de interesses, já que o Regime Geral das Instituições de Crédito e Sociedades Financeiras inibe as instituições financeiras de conceder crédito a quem exerça cargos nos órgãos de administração.

Já Nuno Mota Pinto, tal como noticiou o Expresso, fez parte da lista negra do Banco de Portugal por estar em incumprimento num crédito de cerca de 80 mil euros que tinha no Novo Banco. Neste caso, dias antes do seu nome ter sido anunciado pela dona do Montepio, Nuno Mota Pinto resolveu o incidente, fazendo um novo crédito junto da mesma instituição para refinanciar o crédito.

Resolveu a situação, mas ainda assim perdeu a liderança executiva do Montepio. O ex-diretor do Banco Mundial tinha outro problema: não tinha curriculum na banca de retalho que lhe permitisse assumir a presidência do Montepio sem ter de frequentar um curso para o cargo, ou seja, ir à escola.

Da lista que inicialmente foi entregue pela associação do Montepio outros nomes terão caído, um deles sabe o Expresso foi o de José Roquete (diretor do Novo Banco). Não foi possível apurar a razão.

A futura administração terá de ser aprovada pelo Banco de Portugal e antes que entre em funções os novos estatutos têm de ser aprovados em Assembleia Geral.