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Calçado apresenta o futuro a Costa

JOSÉ COELHO/ Lusa

A indústria portuguesa de calçado vai investir 50 milhões de euros num Roteiro para a Economia Digital. Quer ser líder mundial na relação com os clientes, através da sofisticação do produto, da resposta rápida e do nível do serviço. Esta sexta-feira, apresentou tudo a António Costa

A indústria portuguesa do calçado apresentou esta sexta-feira o seu futuro ao primeiro-ministro, António Costa. Tudo assenta num Roteiro para a Economia Digital e num investimento de 50 milhões de euros na inovação, com o nome de código FOOTure 4.0. O balanço final promete tornar o cluster português do calçado “no líder mundial na relação com os clientes”. Promete sofisticação no produto, resposta rápida na fábrica, melhorias no serviço.

Tudo começou na criação de um ecossistema de 70 entidades, entre empresas, startups, universidades, centros de inteligência e entidades do sistema científico e tecnológico, com a missão de explorar as oportunidades criadas pela indústria 4.0. num sector que emprega 47.122 pessoas.

Dos 50 milhões de euros que serão investidos até 2020, a indústria portuguesa de calçado já tem 12 milhões em marcha. Metade deste valor está dedicado ao projecto “Famest”, promovido por um consórcio de 23 empresas (couros, palmilhas, solas, produtos químicos, “software”, equipamentos, logística e calçado) liderado pela Kyaia, o maior fabricante português de calçado, e por nove entidades de Investigação e Desenvolvimento.

O trabalho a fazer está alicerçado em pilares estratégicos como a inovação da experiência com o cliente, o fabrico inteligente, a qualificação e a liderança sectorial. A síntese, feita pela APICCAPS, a associação industrial do sector, define as metas “criar aformas de interacção com o cliente num contexto digital e em rede; melhorar a flexibilidade, tempo de resposta ao cliente, inteligência de negócios e sustentabilidade; qualificar o sector para a Indústria 4.0, tonando-o mais dinâmico, inovador e capaz de criar novos negócios; e melhorar a inteligência e imagem do sector”.

Na relação com os clientes, pilar em que os sapatos portugueses assumem a ambição de liderar o mundo, a APICCAPS começou por fazer o diagnóstico: “A indústria portuguesa de calçada tem um grau ainda relativamente limitado de contacto com os clientes finais, o que tem implicações em matérias como o desenvolvimento dos produtos e a definição de estratégias comerciais e promocionais”. Depois revela o seu plano: “As ferramentas da indústria 4.0 vêm abrir novas oportunidades de atuação neste domínio. O roteiro prevê, por exemplo, o desenvolvimento de novos modelos de negócio, a utilização de estratégias omnicanal e a adoção de processos de criação com o cliente”.

Quanto ao fabrico inteligente, o caminho a seguir é o da digitalização dos processos, da produção rápida e flexível, da sustentabilidade, da prototipagem eficiente. E, para garantir tudo isto, há o pilar da qualificação, em que os sapatos portugueses querem atrair jovens, criar novas competências, promover o empreendedorismo qualificado.

Na liderança e coordenação dos trabalhos estão a APICCAPS e o Centro Tecnológico do Calçado, em S. João da Madeira, onde António Costa assistiu esta sexta-feira à apresentação do FOOTure e disse que o investimento na indústria 4.0 “é a melhor garantia de que a inovação não acabou (...) e vamos continuar a ter a nossa indústria do calçado na linha da frente da competitividade mundial”.

Fazer um sapato a medida de cada pé

Antes de conhecer o futuro de uma indústria que registou, em 2017, o seu oitavo recorde consecutivo nas exportações, com vendas de 1,965 mil milhões de euros para 150 países, António Costa visitou a Procalçado, empresa de Vila Nova de Gaia especialista na produção de solas de sapatos, mas que também tem as marcas Wock e Lemon Jelly e investiu 10 milhões nos últimos anos, aumentando o número de trabalhadores de 120 para 328 desde 2008.

Já no CTC, António Costa ficou a conhecer a Skypro, a Olives, a Feet It, a And I Wonder e a Undandy, uma nova geração de empresas num sector em que nasceram 368 novas unidades desde 2010.

São projetos diferenciados, para calçar qualquer pé. A Skypro faz sapatos para companhias aéreas e ground handling tecnicamente preparados para qualquer latitude, com características técnicas antiderrapantes, anti-estáticas e de controlo de temperatura. A Olives apostou numa oferta amiga do ambiente que desenvolve um novo material em que o feltro está em destaque. A Feet It trabalha com projetos como o desenvolvimento de aplicações móveis para a medição de pés e formas. A And I Wonder distingue-se pelos sapatos femininos com conceitos personalizados. A Undandy permite ao cliente escolher o modelo e a cor, num total de 156 mil combinações.

“Nós vimos aqui pequenas start ups que têm uma produção local, mas conseguem exportar para centenas de países através do comércio online, Temos, também, indústrias que melhoram os seus processos de produção pela incorporação de informação digitalmente recolhida. Temos, também, as produções que melhoram com a informação que vão obtendo dos gostos e das tendências dos clientes”, destacou Costa.

O primeiro ministro, que inclui esta jornada no seu Roteiro da Inovação, referiu-se ao sector do calçado como “um dos melhores exemplos, se não for o melhor, da importância da inovação no desenvolvimento do país.