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Mulheres continuam longe do topo nas empresas cotadas em Bolsa

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A presença feminina na gestão das empresas nacionais está a aumentar, mas no caso das empresas cotadas em bolsa, só 12% das mulheres chegam a líderes

Catia Mateus

Catia Mateus

Jornalista

Apesar dos progressos conquistados nos últimos anos, Portugal ainda está longe, muito longe, da paridade de géneros na liderança empresarial. E se a análise incidir sobre o universo das empresas cotadas em bolsa, o panorama agrava-se. Só 12,2% das mulheres têm presença nos conselhos de administração das empresas cotadas e este valor era metade há seis anos atrás. A conclusão é avançada pela Informa D&B e tem por base o estudo “Participação feminina na gestão das empresas em Portugal”, agora divulgado.

As mulheres representam um terço dos poderes de decisão do tecido empresarial português. Um valor que aumentou três pontos percentuais nos últimos cinco anos e que deixa claro que há ainda um longo caminho a percorrer em matéria de paridade de géneros em cargos de liderança nas empresas nacionais. E há sectores onde a desigualdade é mais flagrante. As empresas cotadas em Bolsa foram o grupo que registou maior evolução na presença feminina nos conselhos de administração. Em seis anos a percentagem de mulheres quase que duplicou atingindo agora os 12,2%. Um valor que se mantém baixo, sobretudo quando até 2020 a participação das mulheres nos conselhos de administração destas empresas terá de cumprir os 33,3%.

Segundo a análise da Informa D&B, “em quase metade das empresas cotadas (19 empresas), não existe qualquer mulher nos conselhos de administração”. Entre as empresas analisadas no âmbito deste estudo anual, só cinco já atingiram a quota dos 33,3% de representação feminina em cargos de liderança, seis têm entre 20 e 30% de mulheres e 14 têm menos de 20%.

Um país, duas realidades

Teresa Cardoso de Menezes, diretora-geral da Informa D&B, avança que o estudo mostra duas realidades no tecido empresarial nacional, em matéria de protagonismo feminino nos poderes de decisão. “Por um lado, temos as microempresas onde as mulheres estão a ganhar relevância e, por outro, as Pequenas e Médias Empresas e as grandes empresas, onde a participação das mulheres ao nível da gestão vai reduzindo à medida que aumenta a dimensão da empresa”, explica.

Quase um terço das empresas em Portugal são geridas por mulheres. Dentro dos poderes de decisão, 68% assumem cargos de gestão e administração (com uma parcela significativa a participar também no capital das empresas), 26% detém apenas uma participação no capital enquanto sócio/acionista, sem intervenção na gestão e só 6% exercem cargos de primeira linha, direção executiva.

É nas microempresas, que representam 95% do tecido empresarial nacional, que a presença feminina na liderança é mais notória: 30,7% destas empresas são geridas por mulheres. As microempresas em Portugal registam em média 219 mil euros de volume de negócios e empregam quatro funcionários. O gestor e o dono são, em 88% dos casos, a mesma pessoa. Serviços (37%) e Retalho (34%) são os sectores que têm maior percentagem de mulheres em cargos de gestão, por oposição a sectores como o das Telecomunicações, Construção e Gás, Eletricidade e Água que registam menor presença feminina.

O universo das microempresas é, segundo Teresa Cardoso de Menezes, aquele que tem registado maiores avanços em matéria de paridade de géneros na liderança em Portugal. “Há um aumento significativo de mulheres na criação de novas empresas e na condução de negócios de pequena dimensão”, esclarece a diretora-geral da Informa D&B reforçando que “nas PME e nas grandes empresas a tendência é positiva, mas o aumento continua a ser marginal”.

Empresas maiores têm menos mulheres

Pequenas, médias empresas registam um movimento curioso no desequilíbrio de géneros em cargos de gestão e administração e nas funções de direção executiva: à medida que aumenta a dimensão da empresa, diminui a presença de mulheres em cargos de decisão. “Nas pequenas empresas, 24,2% dos cargos de gestão/administração são ocupados por mulheres, número que desce para 19,2% nas médias empresas e para os 14,7% nas grandes empresas”, conclui o estudo.

Ao nível das direções de primeira linha, só 27% dos casos estão nas mãos de mulheres. Nas empresas nacionais a paridade só está mais perto de ser alcançada em cargos como a direção de Recursos Humanos (com 53% de mulheres para 47% de homens) e as direções Técnicas/Qualidade (60% de mulheres e 40% de homens).

Outra das conclusões que resultam deste estudo é que as mulheres promovem uma maior diversidade de género nas suas equipas. “Nas empresas com liderança feminina, mais de metade (52%) dos cargos de gestão são ocupados por mulheres e a diversidade de género nas equipas de gestão e direção é bastante maior – 88% das equipas de gestão e 72% das equipas de direção são mistas (com 35% de cargos femininos”, clarifica a Informa D&B com base na análise. Uma realidade que contrasta com as empresas lideradas por homens: 82% dos cargos de gestão são ocupados por profissionais do sexo masculino e apenas 44% das equipas de gestão são mistas.