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BCE faz primeiro 'corte' na orientação futura

DANIEL ROLAND / Getty Images

O Banco Central Europeu eliminou esta quinta-feira a referência a que está "preparado para proceder a um aumento do programa de compra de ativos em termos de dimensão e/ou duração". A reunião deixou a política monetária na mesma, mas fez uma primeira mexida na comunicação da estratégia

Jorge Nascimento Rodrigues

A reunião desta quinta-feira do Banco Central Europeu (BCE) acaba por ser importante por ter dado um primeiro passo na alteração da comunicação da estratégia da política monetária.

No tradicional comunicado após as reuniões, o BCE decidiu hoje cortar um período, importante, eliminando a seguinte passagem que constava no texto da reunião de janeiro: "Se as perspetivas passarem a ser menos favoráveis ou se as condições financeiras deixarem de ser consistentes com uma evolução no sentido de um ajustamento sustentado da trajetória de inflação, o Conselho do BCE está preparado para proceder a um aumento do programa de compra de ativos em termos de dimensão e/ou duração” .

A atenção vai, agora, centrar-se na conferência de imprensa que o presidente Mario Draghi dará pelas 13h30, onde certamente a explicação para este primeiro 'corte' vai ser questionada.

A maioria dos analistas não previa este primeiro passo já na reunião de hoje, em virtude da queda da inflação em fevereiro, do cataclismo eleitoral na terceira maior economia do euro e da guerra comercial larvar.

No entanto, no que toca ao essencial da política monetária não se registaram alterações. O tripé da estratégia mantém-se: taxas em mínimos históricos por um período alargado; futuro do programa de compra de ativos - vulgo QE, de quantitative easing - sem ser revelado; e reinvestimento do capital dos títulos que o BCE tem em carteira quando vencerem.

Taxas mantêm-se sem alterações. "O Conselho do BCE decidiu que a taxa de juro aplicável às operações principais de refinanciamento e as taxas de juro aplicáveis à facilidade permanente de cedência de liquidez e à facilidade permanente de depósito permanecerão inalteradas em 0,00%, 0,25% e -0,40%, respetivamente", segundo o comunicado.

Taxas atuais vão durar muito para além do fim do QE. Lê-se: "O Conselho do BCE espera que as taxas de juro diretoras do BCE permaneçam nos níveis atuais durante um período alargado e muito para além do horizonte das compras líquidas de ativos".

QE permanece até que BCE considere que se verifica ajustamento na trajetória da inflação. "No que respeita às medidas de política monetária não convencionais, o Conselho do BCE confirma que se pretende que as compras líquidas de ativos, ao atual ritmo mensal de €30 mil milhões, prossigam até ao final de setembro de 2018, ou até mais tarde, se necessário, e, em qualquer caso, até que o Conselho do BCE considere que se verifica um ajustamento sustentado da trajetória de inflação, compatível com o seu objetivo para a inflação", refere o comunicado.

Política de reinvestimentos é um pilar essencial. Ainda segundo o BCE: "O Eurosistema reinvestirá os pagamentos de capital dos títulos vincendos adquiridos no âmbito do programa de compra de ativos (asset purchase programme) durante um período prolongado após o termo das compras líquidas de ativos e, em qualquer caso, enquanto for necessário. Tal contribuirá tanto para condições de liquidez favoráveis como para uma orientação adequada da política monetária".

  • A reunião de 8 de março era tida como muito importante. O Banco Central Europeu começaria a sinalizar, finalmente, aos mercados o fim do programa de estímulos. Mas a inflação em queda, os tweets de Trump e o terramoto político em Itália trocaram as voltas aos ‘falcões’ em Frankfurt que queriam colocar um ponto final à prudência de Draghi