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BCE: eliminação de parágrafo não altera substância da estratégia

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Mario Draghi, o presidente do Banco Central Europeu, esclareceu em conferência de imprensa que a eliminação da referência explícita à possibilidade de aumentar o programa de compra de ativos no futuro próximo não altera a política expansionista

Jorge Nascimento Rodrigues

Confrontado com o 'corte' de um período no comunicado oficial do Banco Central Europeu (BCE) sobre as decisões da reunião desta quinta-feira, Mario Draghi esclareceu que a eliminação da referência à possibilidade de aumento do programa de compra de ativos no futuro próximo não alterou, no essencial, a política monetária em curso.

A decisão unânime em eliminar um período que ainda subsistia na declaração publicada após a reunião de 25 de janeiro - "Se as perspetivas passarem a ser menos favoráveis ou se as condições financeiras deixarem de ser consistentes com uma evolução no sentido de um ajustamento sustentado da trajetória de inflação, o Conselho do BCE está preparado para proceder a um aumento do programa de compra de ativos (asset purchase programme – APP) em termos de dimensão e/ou duração." - não altera o tripé fundamental em que se baseia a orientação futura do BCE.

Draghi recordou os três pilares dessa estratégia: taxas de juro nos níveis atuais por "um período alargado e muito para além do horizonte das compras líquidas de ativos"; programa de compras em função "em qualquer caso, até que o Conselho do BCE considere que se verifica um ajustamento sustentado da trajetória de inflação, compatível com o seu objetivo para a inflação"; e reinvestimento "dos pagamentos de capital dos títulos vincendos adquiridos no âmbito do APP durante um período prolongado após o termo das compras líquidas de ativos e, em qualquer caso, enquanto for necessário".

Em virtude do bom andamento da economia da zona euro - com uma revisão em alta de 2,3% para 2,4% da taxa de crescimento real em 2018 anunciada pelo BCE -, a referência explícita à possibilidade de aumentar o programa na dimensão ou na duração desapareceu. Aquele período foi introduzido nos comunicados em 2016 num outro contexto macroeconómico, frisou Draghi.

O contexto atual favorável na zona euro é, também, acentuado nas projeções macroeconómicas hoje divulgadas com a revisão em alta significativa das previsões para o excedente externo que passou de 2,9% do PIB para 4,2% em 2018, de 2,7% para 4,3% em 2019 e de 2,8% para 4,5% em 2020.

O presidente do BCE referiu, ainda, que o conselho de governadores não discutiu quaisquer outras alterações na orientação futura (forward guidance), não dando qualquer sinal sobre o futuro do programa de compra de ativos (vulgo QE, de quantitative easing) a partir do final de setembro.

  • BCE faz primeiro 'corte' na orientação futura

    O Banco Central Europeu eliminou esta quinta-feira a referência a que está "preparado para proceder a um aumento do programa de compra de ativos em termos de dimensão e/ou duração". A reunião deixou a política monetária na mesma, mas fez uma primeira mexida na comunicação da estratégia