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Parcerias entre bancos e fintech são essenciais para o futuro dos serviços financeiros

Maioria das fintech corre risco de desaparecer se não criar parcerias, conclui o “World Fintech Report 2018”. Já os atores tradicionais estão a tentar adotar melhorias no serviço ao cliente “que são próprias das fintech”

O sucesso das fintech e das instituições financeiras tradicionais, a longo prazo, depende da capacidade que as duas partes tiverem para estabelecer uma “colaboração estreita” e definir o “modelo de negócio adequado”. A conclusão é do “World Fintech Report 2018”, elaborado pela Capgemini e pelo Linkedin, em colaboração com a Efma, e divulgado esta quarta-feira.

As parcerias tornam-se importantes num contexto de maior exigência por parte dos clientes e maior concorrência, pela entrada destes novos atores, como as fintech e as bigtech (grandes tecnológicas que não são atores tradicionais dos serviços financeiros, como a Google, Amazon, Alibaba, Apple e Facebook).

Complementares entre si, as fintech e instituições tradicionais podem tirar partido das vantagens de cada uma. As fintech - que estão a redefinir a experiência dos clientes no setor financeiro através de uma abordagem assente na tecnologia e centrada nos clientes - podem complementar os atores tradicionais, “que inicialmente consideraram substituir”, lê-se no estudo.

Até porque, se atuarem sozinhas, o futuro dos serviços financeiros pode ficar comprometido, realça o estudo. Muitas fintech, embora já tenham conseguido alcançar mais de 110 mil milhões de dólares desde 2009, correm o risco de desaparecer se não existir “um ecossistema de parcerias eficaz”, diz a Capgemini, em comunicado. E os atores tradicionais, como os bancos, também estão a tentar adotar melhorias no serviço ao cliente “que são próprias das fintech”, ao mesmo tempo que tentam reforçar as suas características tradicionais (políticas de gestão de risco, infraestruturas, acesso a capital, etc.).

Mas para que as parcerias tenham sucesso as duas partes têm de ultrapassar alguns obstáculos. As instituições tradicionais têm o desafio da agilidade - mais de 70% dos gestores das fintech apontam a falta de agilidade como o principal obstáculo das instituições financeiras tradicionais. Já a banca tradicional e outras instituições referem os impactos negativos em termos da perceção da confiança dos clientes (o estudo mostra que os clientes confiam mais nas marcas das empresas tradicionais do que nas fintech), na marca e a mudança que necessário realizar nas suas culturas internas.

“As instituições financeiras tradicionais têm que respeitar a cultura das fintech para não perderem a sua agilidade, que é um dos maiores ativos que estas podem trazer para os futuros projetos conjuntos”, explica Vicent Bastid, secretário-geral da Efma. “Outro dos grandes desafios será o de escolher a fintech que mais se adeque ao seu perfil e aos seus objetivos na hora de estabelecer uma colaboração.”