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Mulheres participam menos na força de trabalho e têm maior probabilidade de desemprego

A nível global, a taxa de participação das mulheres na força de trabalho é de 48,5%, o que compara com 75% para os homens. Mas, em termos de taxa de desemprego, as mulheres, com 6%, ficam acima dos homens, com 5,2%, revela a Organização Internacional do Trabalho. Uma assimetria comum a Portugal

As mulheres continuam a ter, em regra, uma participação no mercado de trabalho muito menor do que a dos homens. Os números da Organização Internacional do Trabalho (OIT) não deixam margem para dúvidas.

Em termos mundiais, a taxa de participação das mulheres a partir dos 15 anos na força de trabalho está nos 48,5% (2018), o que compara com 75% nos homens (também a partir dos 15 anos). A diferença é de 26,5 pontos percentuais, conclui o estudo "World Employment and Social Outlook - Trends for Women 2018", da Organização Internacional do Trabalho, divulgado esta quarta-feira à noite a nível global.

"Desde 1990, este diferencial encolheu em dois pontos percentuais, com o grosso da redução a acontecer até 2009", constata o relatório.

Mas, a OIT alerta que o ritmo de melhoria "tem estado a abrandar desde 2009". Mais ainda, "é esperado que pare entre 2018 e 2021, e, possivelmente, seja até revertido, potencialmente anulando as pequenas melhorias relativas na igualdade de género no acesso ao mercado de trabalho alcançadas ao longo da última década".

Por trás desta tendência global, estão assimetrias entre grupos de países. Assim, o diferencial nas taxas de participação de homens e mulheres está a diminuir nos países desenvolvidos e em desenvolvimento, mas "continua a aumentar nos países emergentes, onde atinge os 30,5 pontos percentuais em 2018, mais 0,5 pontos percentuais do que em 2009", lê-se no documento.

No grupo dos países desenvolvidos - onde Portugal está incluido - a taxa de participação das mulheres na força de trabalho está nos 52,4% (2018), o que compara com 68% para os homens. O diferencial é de 15,6 pontos percentuais "o mais baixo registado desde 1990", frisa a OIT. Além disso, a organização espera que continue a diminuir até 2021.

Já em Portugal, as previsões da OIT apontam para uma taxa de participação das mulheres na força de trabalho de 53% em 2018, o que compara com 63,3% para os homens. A diferença é de 10,3 pontos percentuais, em queda face aos 11,9 pontos percentuais registados em 2009.

Desemprego mais acentuado nas mulheres

Os problemas não ficam por aqui. "Não apenas é menos provável que as mulheres participem na força de trabalho do que os homens, como as que o fazem também têm menor probabilidade de encontrar emprego", alerta a OIT.

Em 2018, a taxa de desemprego global para as mulheres situa-se nos 6%, segundo a projeção da OIT, ficando nos 5,2% para os homens. Isto traduz-se num rácio entre as taxas de desemprego de mulheres e homens de 1,2 em 2018, constata a OIT.

Nos países desenvolvidos, a taxa de desemprego das mulheres deverá ficar nos 5,6% em 2018, o que compara com 5,3% nos homens, projeta a OIT. Daqui resulta um rácio entre as taxas de desemprego de mulheres e homens de 1,1.

A organização projeta que até 2021 este rácio deve permanecer estável nos países desenvolvidos e aumentar tanto nos países em desenvolvimento como nos emergentes, "espelhando a deterioração na posição relativa das mulheres em termos do desemprego global observado na última década".

Quanto a Portugal, a projeção da OIT para a taxa de desemprego em 2018 é de 7,7% para os homens e de 7,9% para as mulheres (a organização aponta para uma taxa global de 7,8%). Ou seja, o diferencial é de 0,2 pontos percentuais, o que compara com 1,3 pontos percentuais em 2009.