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Bruxelas vai enviar carta a Portugal porque “foi o caso mais aberto a interpretação”

EMMANUEL DUNAND

O vice-presidente da Comissão Europeia, Valdis Dombrovksis, explicou que o objetivo é enviar um sinal positivo a Lisboa e, ao mesmo tempo, lembrar que há trabalho para fazer. Bruxelas volta a pedir que o Governo apresente um Programa Nacional de Reformas “ambicioso” em abril

A Comissão Europeia retirou esta quarta-feira Portugal da lista de países com “desequilíbrios económicos excessivos” e colocou-o junto aos países que ainda têm “desequilíbrios” a corrigir, como a Alemanha, a Irlanda, a Holanda ou a Suécia. Uma melhoria na avaliação face a 2017 que resultou de uma evolução positiva em vários indicadores como o défice e a dívida pública ou o mercado de trabalho. Mas há ainda trabalho por fazer e, para o sublinhar, o executivo comunitário vai enviar uma carta a Lisboa.

“Vai ser enviada em breve”, disse o vice-presidente da Comissão para o Euro, Valdis Dombrovskis, num encontro com jornalistas em Bruxelas, sem no entanto adiantar o momento preciso em que tal irá acontecer. O objetivo, refere o comissário, “é apenas para enfatizar” o que tem destacado “sobre a necessidade de manter o rumo no que diz respeito às reformas estruturais e sobre a necessidade de (o Governo) apresentar um Programa Nacional de Reformas ambiciosos e detalhados” em abril.

Questionado sobre o facto de apenas Portugal ter ‘direito’ a uma carta da Comissão quando há outros estados-membros na mesma categoria - como a Alemanha - e outros países que tiveram um desagravamento semelhante ao português - como foi o caso de França e da Bulgária - Dombrovskis explica que Portugal foi o país cujo caso suscitou uma interpretação mais aberta.

“Se olharmos para a avaliação da direção-geral dos Assuntos Económicos e Financeiros (DG ECFIN) sobre os vários países, diria que Portugal foi o caso mais aberto a interpretação. Decidimos ir por uma interpretação positiva de desagravamento. Mas ao mesmo tempo enfatizamos que ainda há desequilíbrios importantes e que Portugal tem de continuar a trabalhar para corrigi-los.”

A ideia no fundo é "enviar um sinal positivo e ao mesmo tempo lembrar que há trabalho por fazer", remata o vice-presidente da Comissão.

Também no ano passado a Comissão pediu ao Governo português que apresentasse a Bruxelas um Programa Nacional de Reformas ambicioso. Em maio de 2017, quando fez a avaliação do documento concluiu que era "suficientemente ambicioso".