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Construção. Ramos Catarino regressa à família dos fundadores

O fundo Vallis vendeu aos irmãos Catarino os 75% que detinha na Ramos Catarino. Com esta operação o fundo fecha a sua intervenção na indústria da construção

Dois anos depois, a construtora Ramos Catarino regressou ao universo da família fundadora. O fundo Vallis anunciou esta terça-feira que alienou aos irmãos Vítor e Jorge Catarino a posição de controlo (75%) que detinha no grupo da fileira de construção e decoração de interiores.

A construtora beneficia de um segundo processo de revitalização, aprovado em 2016 – o Novo Banco é o principal credor.

Contactado pelo Expresso, Vítor Catarino descartou tecer comentários à aquisição. "Está tudo no comunicado divulgado, não tenho mais nada a acrescentar", respondeu. Também não se quis pronunciar sobre o andamento do Processo Especial de Revitalização (PER).

Segunda oportunidade

No comunicado em que anunciou a operação, o fundo Vallis diz que a alienação, “dá uma oportunidade à família Catarino de continuar o ciclo de crescimento de volume de negócios e de carteira de obras iniciado em 2017", um ano em que a construtora estabilizou as operações e "retomou a confiança dos clientes e parceiros".

A entrada do fundo Vallis na Ramos Catarino distinguira-se dos casos anteriores (Edifer, MonteAdriano, Eusébios e Hagen) por manter a marca autónoma e traduzir uma parceria acionista – os anteriores donos permaneceram na estrutura acionista e com presença ativa na gestão.

O Vallis agregara na marca Elevo as construtoras que absorveu e vendeu há seis meses o conglomerado à Nacala Holdings, de Gilberto Rodrigues. Mas, a Ramos Catarino ficou de fora do movimento e permaneceu no fundo.

Com esta operação, o Vallis Construction fecha um ciclo na indústria, depois de ter sido um agente ativo "na reestruturação de construtoras em graves dificuldades financeiras e operacionais".

Colapso do BES travou primeiro PER

A transferência da Ramos Catarino para o universo Elevo não interferiu com o andamento do segundo PER, mas facilitou a sua aprovação. Com 18 milhões de euros, o Novo Banco é de longe o maior credor da construtora de Cantanhede que, aquando da aprovação do PER, contava com mais de 700 credores que reclamam 62,1 milhões de dívidas – dois terços estavam no sistema financeiro.

O colapso do BES, dois meses depois a homologação do primeiro PER (2014) impediu a viabilização da construtora e conduziu ao insucesso do programa apresentado no altura pelos irmãos Catarino.

Na origem do grupo Catarino esteve uma unidade de serração de madeiras, fundada em 1949.