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Mercados. Juros italianos em alta contagiam Portugal, futuros das bolsas da zona euro no vermelho

PACO SERINELLI/GETTY

Os juros da dívida italiana a 10 anos já subiram 4% esta segunda-feira arrastando os juros portugueses. Futuros do índice italiano MIB descem quase 2% contagiando Frankfurt e Paris. Eleições deste domingo em Itália geram situação de bloqueio político. Na Ásia, as bolsas estão em terreno negativo

Jorge Nascimento Rodrigues

O bloqueio político em Itália, saído dos resultados eleitorais de domingo, já provocou esta segunda-feira a subida dos juros (yields) dos títulos italianos de referência no mercado secundário da dívida soberana e os futuros do índice bolsista MIB milanês descem quase 2%.

O panorama político italiano é, agora, caracterizado por metade do eleitorado ter votado no Movimento 5 Estrelas, uma força considerada "anti-sistema" (ainda que tendo abandonado o referendo ao euro), e na Liga (ex-Liga Norte), um partido nacionalista que defende a saída da moeda única.

O contágio no mercado da dívida já chegou aos títulos portugueses e o vermelho domina os futuros dos principais índices bolsistas da zona euro.

O euro, depois de uma subida inicial no domingo à noite, caiu 0,3% face ao fecho de sexta-feira. O câmbio desceu de 1,2317 dólares no final da semana passada para 1,2279 dólares pelas 7h20 (hora portuguesa).

Os juros dos títulos transalpinos a 10 anos, o prazo de referência, subiram esta segunda-feira 4% registando, agora, 2,12%, arrastando as obrigações portuguesas, na mesma maturidade, para 2%. Com uma descida de mais de 6% nos juros das obrigações alemãs naquele prazo de referência,que desceram para 0,61%, o prémio de risco dos dois periféricos subiu.

Os futuros dos índices DAX em Frankfurt e CAC 40 em Paris recuam mais de 1%. Nos Estados Unidos, os futuros em Wall Street estão, também, em terreno negativo.

Na Ásia, onde a sessão bolsista de segunda-feira se encaminha para o encerramento, o índice Nikkei 225, em Tóquio, fechou a perder 0,7%. As quedas mais elevadas registam-se em Hong Kong, com um recuo do índice Hang Seng de mais de 2%. Escaparam ao vermelho Shenzhen e Xangai, as duas bolsas chinesas. A guerra comercial do aço e do alumínio iniciada pela Administração Trump está a alimentar o nervosismo bolsista.

Liga (ex-Liga Norte) defenderá saída do euro se chegar ao governo de Itália

O fim de semana ficou marcado pela votação confortável no SPD favorável à renovação de um governo de coligação na Alemanha chefiado pela chanceler Merkel e pelos resultados das eleições para a Câmara de Deputados e para o Senado em Itália. Estas últimas deram uma vitória de 32% ao Movimento 5 Estrelas, que se afirmou como a principal força política do país, e uma subida surpreendente da Liga (ex-Liga Norte), um partido anti-euro, que se tornou na principal força da coligação de centro-direita com a Força Itália de Berlusconi.

Os analistas apontam para uma situação de bloqueio político na terceira maior economia do euro, pois a coligação de centro-direita, agora liderada pela Liga, com 37% dos deputados, não dispõe de maioria para formar governo em Itália.

A Liga, com uma votação superior em 4 pontos percentuais ao partido de Berlusconi, seu parceiro na coligação eleitoral, defendeu na campanha a imediata tomada de medidas de início da saída do euro logo que participe no governo. Claudio Borghi, o porta voz económico, afirmou que "um segundo depois da Liga entrar no governo iniciará todos os preparativos necessários para obter a nossa soberania monetária".