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Choque político italiano não contagiou mercados

A vitória do Movimento 5 Estrelas nas eleições de domingo e a subida da Liga à liderança da coligação de direita em Itália fez subir o prémio de risco italiano mas não contagiou o mercado de dívida da zona euro. A maré vermelha nas bolsas da zona euro que se temia não se concretizou. Nova Iorque encerrou com ganhos de mais de 1%

Jorge Nascimento Rodrigues

O 'choque' político provocado pelos resultados das eleições de domingo em Itália não provocou a maré vermelha na Europa para que apontava o mercado de futuros de madrugada. O índice MSCI para a zona euro avançou 1% esta segunda-feira.

O Movimento 5 Estrelas (que recuou do referendo sobre o euro) afirmou-se como a força política mais votada, com mais de 32% dos votos dos italianos, e a Liga (ex-Liga Norte), que continua a defender a saída do euro, surpreendeu ultrapassando a votação do seu parceiro de coligação, a Força Itália de Berlusconi.

Nem o Movimento fundado por Beppe Grillo nem a coligação de direita liderada agora pela Liga, com 37,5% dos votos, têm, à partida, condições de formar governo de maioria.

Governo de gestão em Itália pode durar

Os analistas financeiros preveem, por isso, que o atual governo liderado pelo Partido Democrático (que caiu para segundo partido mais votado e cuja coligação de esquerda se ficou por 23%) prolongue a sua estadia como governo de gestão da terceira maior economia do euro, pelo que disrupções a breve trecho não são previsíveis. Com a decisão do SPD em apoiar a renovação da coligação governamental liderada pela chanceler Merkel, os mercados financeiros suspiraram de alívio.

A maioria das praças financeiras europeias fechou esta segunda-feira com ganhos, com destaque para Amesterdão, Frankfurt e Zurique, com os índices a avançarem 1,5% ou mais. As exceções foram Atenas, cujo principal índice caiu 2,3%, Dublin, com uma queda de 0,85%, e Milão, com o índice MIB a recuar 0,42%, no epicentro do choque eleitoral.

Em Lisboa, o índice PSI 20 fechou ligeiramente abaixo da linha de água, mas o índice geral encerrou com ganhos de 0,5%.

Nos Estados Unidos, as duas bolsas de Nova Iorque fecharam esta segunda-feira com uma subida global de 1,1%.

Ásia teme guerra comercial

O dia ficou toldado pela queda de 1% na Ásia Pacífico, com as praças pressionadas pela ameaça de guerra comercial declarada pela Administração Trump no aço e no alumínio e que poderá desencadear um efeito dominó. As praças asiáticas registaram a quinta sessão consecutiva de perdas.

Depois de ter formulado, via tweet, a doutrina de que "as guerras comerciais são boas e fáceis de vencer", o presidente norte-americano afirmou esta segunda-feira na Casa Branca aos jornalistas que "não pensa que vá ocorrer uma guerra comercial", mas respondeu aos críticos republicanos do Congresso que "não recua" nas medidas.

Entretanto, a Organização Mundial de Comércio, pela voz do seu diretor-geral, afirmou esta segunda-feira que "olho por olho vai deixar-nos cegos a todos e o mundo em profunda recessão". O brasileiro Roberto Azevêdo concluiu que é preciso "fazer todos os esforços para evitar a queda dos primeiros dominós".

Apesar das perdas asiáticas, o índice mundial bolsista MSCI fechou com um ganho de 0,64%.

Prémio de risco italiano subiu

No mercado da dívida soberana, o choque eleitoral italiano provocou uma subida do prémio de risco da dívida transalpina, mas acabou por não contagiar os restantes periféricos do euro.

O risco italiano subiu sete pontos base em relação ao fecho de sexta-feira passada, ficando em 146 pontos base (o equivalente a 1,46 pontos percentuais) acima do custo de financiamento da dívida alemã, que serve de referência na zona euro. O prémio de risco da dívida portuguesa desceu ligeiramente de 136 para 135,8 pontos e o risco espanhol caiu, mais acentuadamente, de 89 para 85,5 pontos.

Os juros (yields) da dívida italiana a 10 anos, que se situam em 2,1%, permanecem acima dos portugueses, que fecharam em 2%.