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Dicas de poupança: débitos diretos? Cuidados a ter para não lhe debitarem dezenas ou centenas de euros a mais

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É prático, e evita descuidos e esquecimentos de contas por pagar. Mas é preciso ter alguns cuidados para não ter más surpresas

Texto Pedro Andersson, SIC

Como milhares de clientes de eletricidade, gás, telecomunicações, seguros e outros, Mónica Carvalho paga as contas através de débito direto. Foi de férias, não viu o correio nesse mês e quando foi ao multibanco reparou que lhe tinham tirado da conta 783 euros. Um susto que lhe valeu um mês muito complicado. Teve de pedir ajuda a familiares para as despesas do mês, porque a EDP tinha-lhe debitado mais do que o habitual. Disseram-lhe que se tratava de um acerto e que, como as contas estavam corretas, não lhe não devolvia o dinheiro pago a mais. Na altura, Mónica não sabia que podia fazer uma coisa...

Esta dica não é propriamente de poupança, mas pode livrá-lo de um mês muito complicado. Ou pode ser mesmo de poupança, se tiver de recorrer às poupanças e perder juros ou se tiver de recorrer ao Cartão de Crédito. É que muitos consumidores não sabem que com pequenos gestos simples, podem evitar que isto lhes aconteça e que podem reverter essa situação também de uma forma muito simples e eficaz. Claro que não se livra de pagar a conta - se ela estiver certa - mas pode pagá-la em prestações- o que, convenhamos, facilita a sua gestão financeira.

Como não ser surpreendido

Para não ser surpreendido com um débito elevado do qual não estava à espera basta que vá ao multibanco, ao homebanking ou pessoalmente ao banco e coloque limites ao valor que cada uma das empresas para as quais tem débitos diretos pode tirar por mês. Aproveite e inative todas as autorizações antigas de empresas das quais já foi cliente e agora já não é. Nunca fiando.

No multibanco tem, logo no ecrã principal, “Transferências e débitos diretos”, escolhe essa opção e a partir daí tem a lista de todas as suas autorizações ativas ou inativas. Para cancelar definitivamente tem de contactar essa empresa e fazer o pedido. Neste momento o consumidor só pode ativar ou inativar. Para além disso, pode colocar limites de valor e de tempo (por exemplo “até dezembro de 2018”). Se paga sempre 60 euros de eletricidade, pode colocar o limite de 100 euros, por exemplo. Assim nunca lhe tirarão da conta 600, 900 ou até 1.000 euros, como já aconteceu a algumas pessoas.

E se já tiraram o dinheiro?

Mesmo que aconteça tirarem-lhe um valor absurdo, tem sempre 8 semanas para pedir ao banco para lhe colocar outra vez o dinheiro na conta. Claro que depois vai ter de chegar a acordo com a empresa. Pode ter sido erro ou não. Mas se o valor estiver correto, pode pedir para pagar em prestações. Pelo menos o dinheiro fica do seu lado. Negoceia com outra segurança.

E se notar um débito direto completamente abusivo de uma empresa a quem nunca deu autorização, tem 13 meses para pedir ao banco para lhe devolver esse dinheiro. Aí a responsabilidade é do banco, porque deixou que tirassem dinheiro sem a sua autorização. Em todos estes casos, os bancos têm, por lei, 10 dias para devolver o dinheiro na conta. Pela minha experiência, quando fiz o pedido, horas depois já estava o dinheiro de regresso à conta. Se calhar depende de banco para banco ou da hora em que se faz o pedido. No meu caso foi por telefone, assim que me apercebi do débito “estranho”.

Também há relatos de casos em que um débito foi inativado e que a empresa gerou uma nova ordem de débito. Aí é mesmo de exigir ao banco que assuma as suas responsabilidades e lhe devolva imediatamente o dinheiro. Deve guardar o comprovativo de que inativou o débito. Um print screen (se fez no PC) ou uma foto do talão de inativação no Multibanco (digo foto porque a tinta dos talões desaparece rapidamente).

Claro que isto só funciona se estiver atento ao dinheiro que sai da sua conta bancária. Deve ver todas as semanas se está tudo bem.

Se tem homebanking pode fazer isso já neste momento, senão pode ir mais logo a um multibanco e “assustar-se” com a longa lista de débitos diretos que provavelmente tem ainda ativos sem saber.

Proteja-se enquanto é tempo. Não acontece só aos outros.