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Century 21 cresce 35% a negociar casas para portugueses

Ricardo Sousa é o diretor-geral a Century 21 em Portugal e Espanha

FOTO josé carlos carvalho

A maior fatia das quase 11 mil transações feitas em 2017 foram para a classe média

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

A faturação da Century 21, ou seja, o valor equivalente às comissões conseguidas na mediação de compra e venda de casas, atingiu €35 milhões em 2017, o que representa um aumento de 26% face a 2016. Este montante refere-se a um total de 10988 transações, das quais 81% foram realizadas com portugueses, principalmente de classe média. Este é, aliás, o grande mercado da mediadora e aquele em que quer continuar a apostar em 2018. Contudo, é também aquele onde há mais desafios, fruto da aposta recente dos promotores na reabilitação urbana e em casas demasiado caras para a classe média portuguesa.

“A oferta para portugueses tem vindo a diminuir, porque temos muita oferta potencial parada. Temos mais pessoas reféns dentro de casa, que não conseguem comprar casa nova porque os preços atuais do que está disponível são muito altos, e temos uma população envelhecida que vive sozinha em casas grandes e não tem incentivos para sair e colocar essa casa no mercado”, diz o diretor-geral da empresa, Ricardo Sousa, em entrevista ao Expresso.

Por isso, “e para ajudar a combater a falta de oferta, este ano teremos um foco muito maior no proprietário e no promotor local, ou seja, numa mediação personalizada e costumizada que ajude a trazer mais casas acessíveis para o mercado”, explica. Além disso, acrescenta, querem “angariar mais terrenos para construção própria, por exemplo na margem sul, onde há preços acessíveis”.

Para atingir este objetivo, a mediadora pretende reforçar a equipa e “chegar aos 2500 colaboradores em 2018”. Isso depois de, o ano passado, ter visto esse número crescer de 1580 para 2018. Além disso, depois de ter passado de 90 para 102 lojas em 2017, quer continuar a alargar a rede e explorar pontos menos convencionais, até porque é para esses locais que a procura se está a direcionar.

“Neste momento, as pessoas não conseguem nem arrendar nem comprar na cidade porque os preços são muito altos e, por isso, cresce a procura nas periferias. Odivelas tem tido um aumento extraordinário da procura, mas também a Amadora, Massamá, Sacavém, Póvoa de Santa Iria. Lisboa recuperou pessoas e agora está de novo a perdê-las”, repara Ricardo Sousa. Em causa, explica, está o facto de estas zonas estarem agora mais bem servidas de transportes, como o metro ou o comboio urbano, mas principalmente por ser aqui que estão as casas mais baratas e com a melhor relação qualidade preço.

No entanto, Ricardo Sousa alerta que, se a procura continuar a crescer nestas zonas, os preços vão subir e “isso já se verificou no segundo semestre do ano passado”.

Menos 
arrendamentos

O número de arrendamentos realizados pela Century 21 em 2017 “registou uma forte quebra de 18%, fixando-se nas 2870 transações, em comparação com as 3500 realizadas em 2016”, diz a empresa. Segundo Ricardo Sousa, esta descida explica-se com “a falta de oferta e as rendas muito altas na oferta que existem”, o que tem levado as pessoas a preferir comprar e pagar uma prestação que é mais baixa que uma renda, principalmente no segmento mais jovem. “É na compra da primeira casa que temos o maior problema”, salienta Ricardo Sousa.

Mas esta está longe de ser a situação ideal. “O nosso conselho para os clientes é que, se quiserem uma casa para mais de três anos, então o melhor é comprar, mas se estão à procura de uma primeira casa, o arrendamento é a melhor opção”, repara o diretor-geral da Century 21.
De facto, os resultados do ano passado revelam “que foram os consumidores do segmento médio e médio baixo que mais procuraram soluções de arrendamento”. Isto porque, segundo os resultados da empresa, o valor médio de arrendamento a nível nacional na rede da Century 21 em 2017 foi de 598, o que representa uma descida de 10,8% face à média nacional de 670 verificada em 2016.

Trabalhar 
novas zonas

Como referido em cima, a grande parte das operações realizadas pela Century 21 em 2017 foi para clientes nacionais, mas nem por isso deixou de trabalhar com clientes estrangeiros. De acordo com os resultados da empresa, 19% das transações foram realizadas com estrangeiros, o que representa uma subida de 9% face a 2016. No entanto, as nacionalidades com que mais trabalharam mantiveram-se e são os franceses que vão à frente, representando 50% dos negócios mediados. Seguem-se os brasileiros, com 16% e depois dos os chineses com 13,2% das operações. Os belgas e os ingleses completam o top 5.

As zonas mais procuradas também se mantiveram: Lisboa, Cascais, Porto, Algarve e Costa de Prata, mas há novas zonas a despertar o interesse destes compradores internacionais, como é o caso de Setúbal ou do Alentejo, principalmente da parte dos europeus. “Os brasileiros e os chineses é que são mais obcecados por Lisboa. E os brasileiros por Cascais também”, conta Ricardo Sousa.

Ora, perante esta tendência de procura por parte dos estrangeiros, a Century 21 tem um outro foco definido para este ano: “Promover outras zonas e dar a conhecer Portugal e outras regiões que têm ofertas boas e baratas”, conclui.