Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Sonae impulsiona caça-piratas

Pedro Fortuna (à esquerda) e Rui Ribeiro lideram na cibersegurança

FOTO Ricardo Castelo/NFactos

Sonae IM e Portugal Ventures financiam expansão da Jscrambler, que tem utilizadores em 149 países

A injeção de €1,9 milhões por parte da Sonae Investment Management (IM), o braço para os negócios de raiz tecnológica do conglomerado da família Azevedo, e da Portugal Ventures concede um novo impulso expansionista à Jscrambler, uma startup que a partir da incubadora da Universidade do Porto (UPTEC) acedeu à alta roda do admirável mundo da segurança digital. A empresa conta com três patentes em segurança web em fase de registo internacional e lida com gigantes mundiais de segmentos mais sensíveis a ataques informáticos, como operadores de videojogos, video streaming ou o sector bancário.

Consolidar o modelo de negócio, abrir novas frentes comerciais além da reabertura do escritório em São Francisco (EUA), participar em feiras e apresentações internacionais e reforçar parcerias em mercados mais recônditos como sucedeu recentemente com a Coreia do Sul, eis os objetivos desta ronda de financiamento que permitirá acrescentar 20 assalariados à lista atual de 25. O desígnio é manter a pedalada e duplicar as vendas todos os anos (€600 mil em 2016).

Marca portuguesa mais internacional do que esta não haverá. O Mateus Rosé, lançado em 1942, viaja para 120 países. O produto Jscrambler, oito anos e cinco versões depois, conta com 40692 utilizadores em 149 mercados. O destino ficou logo marcado em 2010, quando a startup fundada pelos amigos e engenheiros Rui Ribeiro (eletrotécnico) e Pedro Fortuna (informático) testava no mercado a sua ideia de negócio. Os três primeiros clientes conduziram uma estranha sequência: Israel, Irão e EUA. Hoje, metade das vendas são realizadas no mercado americano, seguindo-se o espaço europeu — 99% do negócio é no exterior.

A crescente prosperidade do comércio eletrónico e a complexidade das aplicações web levou a dupla de engenheiros a concluir que a nova ordem digital exigia uma dimensão adequada na segurança dos dados. Na altura, a Sony não sofrera ainda um ataque à sua consola Playstation que levaria a uma queda acentuada das ações em bolsa nem a agência de créditos americana Equifax fora alvo de um ataque que lhe levou os dados de 143 milhões de consumidores registados.

Reescrever o código

E o que faz a Jscrambler, uma designação que resulta da combinação da sigla JS (JavaScript) com o termo de inspiração militar scrambler que remete para ocultação de mensagens? Reescreve o código Java Scrip, tornando-o incompreensível e impenetrável. A ferramenta é uma muralha “que impede ataques ou interferências indesejadas na página Web”, diz Pedro. Rui acrescenta: “Os diversos módulos da nossa solução preservam a integridade, visibilidade e funcionalidade dos sites”.

Os dois engenheiros escrutinaram soluções alternativas à segurança clássica e verificaram que o elo mais fraco residia no código que executa no dispositivo (portátil, telemóvel, etc.) utilizado pelo cliente final que pode estar na origem de uma infeção do código em página.

A vantagem da solução reside “na eficácia, resistência a ataques e na sua compatibilidade com sistemas operativos ou browser (navegadores) utilizados”. E para repelir ataques a websites, é preciso combinar “integridade da aplicação, monitorização da segurança dos dados em tempo real e reação automática às ameaças que possam surgir”.

E como se consegue, a partir do Porto, aceder à elite mundial? Combinar uma dose de coragem com duas de ambição, aceitando correr riscos. “É preciso pôr os pés ao cami-
nho, e ter a certeza que se dispõe de uma tecnologia que re-
solve o problema que o cliente possa colocar”, responde Pedro.

Se a Portugal Ventures já se associara (27%) aos fundadores na fase inicial do projeto (2104), a adesão da Sonae IM induz uma “sinergia de portefólio” (a sociedade conta com participações em mais seis empresas internacionais de cibersegurança) e a viabiliza uma fertilização cruzada de conhecimentos e experiências.

A Jscrambler “tem produto, especialização, equipa e modelo de negócio testado”, justifica Alexandre Santos, o diretor da Sonae IM que acompanhou a operação. O gestor acentua “o grau de internacionalização” e “a relevância mundial da tecnologia” de uma empresa “de grande potencial”. A lógica do investimento “é impulsionar a expansão do negócio e aprofundar a tecnologia do produto”.