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O trambolhão de 7% nas bolsas desde os máximos de janeiro. Pessimismo não abranda

JOHANNES EISELE/GETTY

Zona euro, Mumbai, Xangai e Londres são as praças mais castigadas até agora. O índice PSI 20 em Lisboa regista uma queda de 7,3% desde o pico recente a 25 de janeiro, ficando ligeiramente acima da quebra no índice mundial

Jorge Nascimento Rodrigues

As bolsas à escala mundial caíram 7% desde o máximo a 26 de janeiro, segundo o índice MSCI para todas as bolsas. Tecnicamente, não é, ainda, uma correção de mercado, uma designação que é usada quando as quebras desde o pico num horizonte de 52 semanas são superiores a 10%.

Recorde-se que o mercado global de ações sofreu um choque na semana negra de 5 a 9 de fevereiro, com quebras diárias entre 2,5% e 3% na segunda e quinta-feira. No final de fevereiro e neste início de março, as bolsas mundiais registam fechos no vermelho há quatro sessões consecutivas, com o ‘sentimento’ pessimista a manter-se.

Não se sabe, ainda, se os picos de janeiro marcam uma inflexão no já longo ciclo mundial de subida nos mercados de ações que se iniciou em março de 2009, com alguns tropeções, como as quedas anuais em 2011 e 2015 de 9,4% e 4,3% respetivamente. Os ganhos líquidos acumulados desde 2009 somam quase 60% o que compensa a derrocada de 42% ocorrida em 2008. Note-se que a crise bolsista mundial desenrolou-se entre outubro de 2007 e fevereiro de 2009, com o epicentro em Wall Street.

Os dias de pico mais recentes ocorreram em janeiro, com variações no dia da sessão. No caso de Nova Iorque, foram inclusive máximos históricos dos seus principais índices, ocorridos precisamente a 26 de janeiro.

O Credit Bubble Bulettin deste fim de semana salienta que "existem fissuras - rachas nos EUA e espalhadas globalmente" para concluir que "as variações de mercado desta semana sugerem que essas fissuras interligadas não serão provavelmente transitórias".

Bolsas mais castigadas na China, Índia, Reino Unido e Zona Euro

Os índices mais castigados, em termos agregados e no que respeita às principais praças mundiais, foram os relativos à zona euro, ao índice global de Mumbai, ao FTSE londrino e ao índice composto de Xangai.

Desde o pico recente a 25 de janeiro, o índice MSCI para a zona euro caiu 9%. No caso do índice global MSCI para a bolsa indiana de Mumbai, o recuo foi de 8,7%. Para o índice composto de Xangai a descida somou 8,6%, o mesmo nível de queda para o índice FTSE global de Londres.

As quedas em Lisboa ficaram abaixo da média da zona euro e ligeiramente acima da média mundial. O PSI 20, o mais importante índice português, perdeu 7,3% desde o pico recente a 25 de janeiro. Recorde-se que o máximo histórico registou-se em fevereiro de 2000 quando ultrapassou a marca de 14.600 pontos. Na sexta-feira passada fechou em 5367,16 pontos. No pico de janeiro encerrou em 5791,88 pontos.

Os índices agregados menos fustigados foram os relativos aos mercados de fronteira (designação para os países que ainda não são considerados mercados emergentes) e às bolsas da América Latina, com quedas de 3,4% e 5% respetivamente desde os picos a 26 de janeiro.

Na mais importante praça do mundo, Nova Iorque, o recuo foi de 6%, desde os máximos históricos de 26 de janeiro.

  • As praças europeias fecharam esta sexta-feira com perdas generalizadas, lideradas por Frankfurt, Milão e Paris, com quedas acima de 2%. O PSI 20 na bolsa de Lisboa caiu apenas 0,17%. Incerteza sobre legislativas em Itália no domingo e início da guerra do aço e do alumínio na próxima semana reforçam pessimismo