Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Bolsas no vermelho com ameaça de guerra comercial e risco político na zona euro

Tóquio, Xangai e Hong Kong acumularam perdas acima de 1% esta semana. Na Europa, a sessão desta sexta-feira abriu com uma maré vermelha, com as praças alemã e italiana a liderarem as descidas. PSI 20, em Lisboa, segue tendência negativa da zona euro. Risco de guerra comercial iniciada pelos EUA e incerteza política sobre resultados este fim de semana na Alemanha e Itália

Jorge Nascimento Rodrigues

O fecho de Wall Street na quinta-feira com perdas superiores a 1% e a ameaça de uma guerra comercial desencadeada pelos Estados Unidos em virtude da imposição de tarifas aduaneiras sobre o aço e o alumínio por parte da Administração Trump agitaram as praças asiáticas que acabaram por fechar esta sexta-feira no vermelho, com a única exceção de Hanói.

A propósito das medidas protecionistas que tomou, o presidente Trump publicou um tweet em que afirmava que "as guerras comerciais são boas e fáceis de ganhar", justificando a decisão unilateral tomada e que visa sobretudo o Canadá, a China e a Europa.

Em termos semanais, os principais índices asiáticos acumularam perdas - o Nikkei 225 nipónico caiu 3,3%, o Hang Seng de Hong Kong perdeu 2,2% e o índice composto de Xangai recuou 1%. Seul perdeu 2% e Sydney caiu 1% durante a semana.

Na Europa, a maré vermelha inundou os mercados financeiros, com Frankfurt e Milão a liderarem as quedas esta sexta-feira, com descidas acima de 1,5%. Em Lisboa, o índice PSI 20 perde 0,8%, seguindo a tendência europeia.

A par do contágio de Wall Street e do "efeito dominó" que poderão gerar as tarifas de Trump de 25% no aço e de 10% no alumínio a partir da próxima semana, a zona euro enfrenta a subida do risco político, na expetativa do resultado de dois eventos deste fim de semana - as eleições legislativas em Itália e a votação pelos militantes do SPD alemão do sim ou não a uma nova coligação chefiada por Angela Merkel.

O grau de incerteza sobre os resultados eleitorais transalpinos é muito elevado. As últimas sondagens realizadas não dão maioria absoluta nem ao centro-direita liderado por Silvio Berlusconi nem ao centro-esquerda liderado pelo Partido Democrático no governo, e colocam o Movimento 5 Estrelas como o partido mais votado, que, entretanto, abandonou a exigência de saída do euro. Na Alemanha, as sondagens dentro do SPD parecem tranquilizar o analistas: 66% apoiam uma nova coligação com Merkel.

A adensar o clima negativo, o governador do Banco do Japão calendarizou o processo de descontinuação gradual da política monetária expansionista a partir do próximo ano fiscal de 2019, que se inicia a 1 de abril desse ano e termina a 31 de março do ano seguinte. Haruhiko Kuroda surpreendeu os analistas ao admitir hoje que o banco central poderá "começar a pensar e discutir um plano de saída [do programa de estímulos]" por aquela altura.

Os futuros em Wall Street apontam para uma abertura no vermelho, com as bolsas de Nova Iorque a correrem o risco de um quarto dia consecutivo de perdas.