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Pneus Camac com dívidas de €17,9 milhões a 428 credores

O único fabricante de pneus de capital português volta ao circuito judicial da viabilização. O principal credor é o Estado

A Camac, o único fabricante de pneus de capital português volta ao circuito judicial dos planos de viabilização, com uma dívida acumulada de 17, 9 milhões de euros, distribuída por 428 credores.

A maioria das dívidas de empresa de Santo Tirso que ressuscitara em 2010 são a trabalhadores e fornecedores. Por exemplo, a Continental, com fábricas no concelho vizinho de Famalicão, surge na lista de credores com perto de 100 mil euros reconhecidos.

Mas, o principal credor (2,7 milhões de euros) é o Estado. O valor resulta da falta de pagamento à Segurança Social (1,7 milhões) e das rendas em atraso pelo uso do edifício fabril (um milhão) que foi entregue ao Estado no âmbito do anterior processo de recuperação.

O gestor judicial não reconheceu o pagamento de horas extras, reclamados por 13 trabalhadores. No total, são São 83 mil euros.

Exploração equilibrada

Em 2017, a operação da Camac foi equilibrada, mas o negócio não liberta dinheiro para cumprir o acordo celebrado com os credores, no âmbito do anterior plano de recuperação.

A empresa, fundada em 1967, retomou a produção em 2010, ,após uma paragem de ano e meio, pela mão dos irmãos Jorge e Fernando Rodrigues. Na altura, o capital ficou repartido entre eles e o Fundo para a Revitalização e Modernização do Tecido Empresarial (FRME), do IAPMEI, que injetou quatro milhões de euros.

A estratégia assentou na produção de pneus para segmentos de nicho, como automóveis clássicos e de competição. Mas, em 2015 a Camac teve de recorrer à proteção dos credores para se manter em atividade. A impossibilidade de pagar todas as prestações a que se comprometera conduziu a um novo Plano Especial de Revitalização (PER), depois de um grupo de trabalhadores ter apresentado no Tribunal de Santo Tirso um pedido de insolvência.