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Crise de fevereiro custa 4% às bolsas mundiais. Março poderá não ser melhor

INDRANIL MUKHERJEE/GETTY

Praças europeias foram as mais castigadas no mês em que as bolsas interromperam a subida que vinha desde 2016. Em Lisboa, o PSI 20, recuou quase 5%. Eleições em Itália, dúvidas sobre governo alemão e política monetária nos EUA e zona euro vão agitar as próximas semanas. Primeira sessão de março abre com perdas na Ásia e na Europa

Jorge Nascimento Rodrigues

Fevereiro interrompeu a euforia bolsista que já durava desde o início de 2016 e que, no ano passado, rendeu um ganho de 22% ao conjunto das praças mundiais medido pelo índice global MSCI. Depois de terem entrado a subir no novo ano, com um ganho de 5,6% em janeiro, o índice caiu 4,4% no mês passado que ficou marcado pela semana negra de 5 a 9, com quebras diárias de quase 3% na segunda e quinta-feira.

O problema é que fevereiro foi mau mas não há certezas que março possa ser melhor. É que há vários acontecimentos agendados que podem perturbar as bolsas. Nomeadamente, as eleições legislativas em Itália e a votação dos membros do SPD na Alemanha em relação à aprovação ou não de uma nova coligação chefiada pela chanceler Merkel são os eventos políticos na Europa já este fim de semana que vão marcar o arranque do mês.

Na frente da política monetária, vão realizar-se duas reuniões importantes do Banco Central Europeu, a 8 de março, e da Reserva Federal norte-americana, a 20 e 21, que vão sinalizar o ritmo em 2018 da descontinuação das políticas expansionistas.

Março abre no vermelho

A primeira sessão das bolsas em março está a ficar marcada pelo vermelho na Ásia e na Europa, com exceção das bolsas da China, Hong Kong, Indonésia e Vietname. O importante índice nipónico Nikkei 225 fechou esta quinta-feira com perdas de 1,6%. Tóquio é a terceira mais importante bolso do mundo, depois das duas bolsas de Nova Iorque.

As bolsas europeias foram as mais castigadas em fevereiro com uma quebra global de 6,4%, segundo o índice MSCI pan-europeu. O índice MSCI para a zona euro (que, no entanto, exclui a bolsa de Atenas por ser considerada um mercado emergente) recuou 6%. Por ordem decrescente, Varsóvia, Atenas, Madrid, Londres, Budapeste e Frankfurt registaram quebras bolsistas acima de 7%, segundo os índices MSCI.

Em Lisboa, o PSI 20 perdeu 4,6%, ficando abaixo da média negativa da zona euro. O Ibex 35, em Madrid, caiu 6,8%. Moscovo escapou à maré vermelha, com um ganho de 0,8%, e a bolsa de Helsínquia também.

O índice pan-europeu já está em terreno negativo em termos de evolução desde o início do ano, com uma perda de 1,4%. Entre os principais índices ‘regionais’ do MSCI é o único no vermelho. A zona euro ainda se encontra em terreno positivo, com um ganho de 0,64% desde início do ano.

Bolsas norte-americanas perdem quase 4% em fevereiro

Apesar da importância das quebras em fevereiro nas duas bolsas de Nova Iorque – o New York Stock Exchange e o Nasdaq -, o índice MSCI para o conjunto dos mercados de ações dos EUA perdeu 3,9%, menos do que a Europa, a América Latina e o grupo dos emergentes.

Apenas a Ásia Pacífico registou um recuo ligeiramente inferior, de 3,6%, apesar de alguns índices de referência da região terem registado quebras acima de 6%, como o índice composto de Xangai, o Nikkei 225 de Tóquio, o KOSPI de Seul e o Hang Seng de Hong Kong.

O ciclo bolsista de subidas a escala mundial iniciado em 2016 registou, até à data, um pico a 26 de janeiro, na sessão em que em Nova Iorque se verificaram máximos históricos nos seus principais índices. Em Tóquio, Xangai e na zona euro, os índices respetivos atingiram o pico a 24 e 25 de janeiro.