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Mota Pinto pagou dívida nas vésperas de se saber que ia liderar o Montepio

Luis Barra

Poucos dias antes de se saber que Nuno Mota Pinto era o nome escolhido para liderar a Caixa Económica Montepio Geral, o então diretor executivo do Banco Mundial regularizou uma situação de incumprimento bancário

Mota Pinto teria no antigo BES um crédito no valor de cerca de 80 mil euros que esteve em incumprimento, situação que levou o Novo Banco a colocar o seu nome na lista dos devedores do Banco de Portugal (BdP), soube o Expresso.

A situação foi regularizada em meados de dezembro de 2017. O crédito vencido foi pago através da concessão de um novo crédito do Novo Banco, já sob a liderança de António Ramalho, soube o Expresso. Contactado Nuno Mota Pinto não quis fazer qualquer comentário, nem confirmar a informação.

O Público noticiou esta quarta-feira que dois membros do conselho geral da Associação Mutualistas Montepio Geral questionaram - numa carta enviada a Vítor Melícias e aos restantes membros do conselho - o facto de haver entre os futuros administradores executivos do banco “alguém que a 12 de dezembro de 2017 fazia parte das listagens do Banco de Portugal como tendo crédito em atraso”. Na missiva sublinhavam que não apoiavam esta nomeação, mas não referiam o nome de Nuno Mota Pinto. “Não entendemos que significado pode ter (esta pessoa) pertencer à comissão executiva de uma instituição bancária que terá certamente de dar grande importância ao crédito em mora”, sublinham Carlos Areal e Viriato M.Silva, na carta a que o Expresso também teve acesso.

Nuno Mota Pinto, que vivia em Washington, esteve entre julho e novembro sem vir a Portugal, apurou o Expresso. O que poderá ter contribuído para o arrastar da situação.

Apesar de dívida ter sido paga, a questão é delicada, uma vez que Nuno Mota Pinto, assim como a restante equipa que irá substituir a administração executiva agora liderada por Félix Morgado, ainda não teve “luz verde” do BdP.

"O processo de avaliação da adequação dos membros dos órgãos sociais da CEMG decorre atualmente de acordo com o disposto na lei, não tendo o Banco de Portugal proferido qualquer decisão", afirmou o supervisor. Disse-o quando questionado pelo Expresso sobre se este incidente teria implicações na avaliação da idoneidade do gestor.

A dona do Montepio anunciou a escolha de Nuno Mota Pinto a 14 de dezembro de 2017. " A escolha reúne o consenso da estrutura acionista e adequa-se ao perfil requerido para a execução da estratégia definida no sentido de dar cumprimento aos objetivos de transformação da CEMG na Instituição Financeira Portuguesa de referência para a economia social”, lia-se então no comunicado.