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Impressões 3D na loja de bairro e consumidores que sabem tudo: o futuro das compras

João Vieira Pereira, Olivier Establet, Alexandre Nilo Fonseca, Pedro Miguel Santos e Miguel Veloso em conversa sobre comércio digital

Nuno Fox

"As compras online e o consumidor digital" foram o ponto de partida para um debate sobre o futuro do comércio, que juntou Expresso e Chronopost

Presentes na vida quotidiana com maior visibilidade do que nunca, as compras digitais são cada vez mais uma opção viável por um número crescente de pessoas. Mas isso não quer dizer que não vá haver um segmento que só queira ir buscar os seus produtos ao balcão físico. Ou que queira juntar os dois. Diferentes dimensões de uma dicotomia que dá forma ao que pode ser o futuro do comércio eletrónico.

Questão complexa (entre outras) que esteve em discussão na sede do grupo Impresa, palco do debate subordinado ao tema "As compras online e o consumidor digital." Organizado por Expresso e Chronopost, a conversa - moderada pelo diretor-adjunto do Expresso, João Vieira Pereira - teve como base um estudo (Barómetro E-Shopper) desenvolvido pela empresa de distribuição sobre as tendências atuais de consumo e o que elas podem significar para o futuro.

"Se soubesse o que se vai passar, podia já escrever um livro", começou por afirmar Olivier Establet. O CEO da Chronopost Portugal admite que é difícil prever a longo prazo, sobretudo quando "as mudanças são alucinantes." Ainda assim, arrisca dizer vai haver sempre clientes que "gostam de terminar o processo de compra fisicamente."

Num país onde apenas 8,6% das compras são online - de acordo com os números apresentados por Carla Pereira, diretora de marketing e comunicação da Chronopost - ainda há um caminho longo a percorrer, mas o paradigma está a alterar-se e os retalhistas (tradicionais ou não) têm que atuar em conformidade para sobreviver.

Carla Pereira, diretora de marketing e comunicação da Chronopost, apresentou o estudo que deu o mote para o debate

Carla Pereira, diretora de marketing e comunicação da Chronopost, apresentou o estudo que deu o mote para o debate

Nuno Fox

Quando ainda "há muitos atores que olham para o digital como um bicho papão", segundo Alexandre Nilo Fonseca, um dos grandes desafios para o presidente da ACEPI (Associação da Economia Digital), será "lidar com um consumidor que, por vezes, é tão ou mais informado que o próprio retalhista. Dimensões e formatos que Pedro Miguel Santos garante estarem a ser trabalhados pelos principais retalhistas. O responsável pelo E-commerce e Mobile da Sonae MC acredita que "é o cliente que está a liderar a disrupção" e que é necessário apostar em ferramentas que facilitem interações, que são "cada vez mais complexas."

De tal forma que "os consumidores comparam mais experiências do que propriamente produtos", como lembra o senior manager da Accenture Portugal na área da tecnologia. Se fazer futurismo não é uma ciência exata, os dados à sua disposição levam Miguel Veloso a considerar que "realidade virtual e realidade aumentada vão fazer parte do panorama" e que, por exemplo, os consumidores vão cada vez mais comprar "projetos digitais" para imprimir em 3D numa loja de bairro. Físico e digitais juntos.