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Carlos Silva deixa vice-presidência do BCP

Presidente do angolano Banco Privado Atlântico e vice-presidente do BCP despede-se do banco por carta, à qual o Expresso teve acesso

Numa carta enviada na semana passada, a 15 de fevereiro, ao presidente do BCP, António Monteiro (chairman), Carlos Silva coloca um ponto final na sua permanência como vice-presidente não-executivo do banco onde esteve nos últimos 10 anos.

Tal como o Expresso já tinha noticiado na edição de 20 de janeiro passado, com esta saída Carlos Silva dá por cumprida a sua missão e papel no apoio ao turnaround do BCP, confirmando uma decisão que já tinha sido tomada há vários meses, e que agora foi formalizada por carta enviada ao chairman.

“Dou por concluída a minha missão nos órgãos de gestão do Millennium BCP num novo mandato”, afirma o presidente do angolano Banco Privado Atlântico.

Na carta pode ler-se: “Caro Presidente António Monteiro, tal como lhe tenho vindo a referir há largos meses, estando consolidado, com sucesso, o ciclo de turnaround do banco, dou por concluída a minha missão nos órgãos de gestão do Millennium BCP, pelo que, deixa de fazer sentido a integração de quaisquer órgãos sociais num novo mandato“.

Na carta a que o Expresso teve acesso, Carlos Silva sublinha o facto de no BCP “ao longo dos últimos três ciclos de gestão ter sido possível através de uma criteriosa escolha das equipas de gestão executivas, com o apoio incondicional dos principais acionistas, o compromisso dos colaboradores, bem como dos demais stakeholders, ir encontrando as equações que permitiram, por um lado, com sucesso, os ciclos de reforço de capitais próprios do banco e, por outro, adequar a performance operacional e melhorar de forma rigorosa os riscos do balanço”.

Acrescenta ainda que “hoje, qualquer que seja o prisma de análise do banco, é inquestionável a transformação concretizada nesta última década. O Millennium BCP de 2018 (...) é de novo, um caso de sucesso, é de novo, o maior banco privado português e, continua a ser, uma referência na esfera internacional”.

O banqueiro angolano refere ainda que os resultados de 2017 que partilhou com o Conselho de Administração através de video-conferência a 14 de fevereiro, “mais do que expressam o fim de um ciclo na vida do banco, simbolizam o inicio de uma nova Era”. E é neste contexto que se despede do banco tecendo vários elogios à capacidade e forma como também a comissão executiva do BCP pelo “desempenho de excelência na gestão de equações complexas em contextos adversos”.

Como referiu o presidente-executivo do BCP, Nuno Amado, na apresentação dos resultados do banco, dia 14, até à Assembleia Geral de acionistas Carlos Silva continua a fazer parte dos órgãos sociais.

E, por fim, Carlos Silva deixa uma palavra para os novos desafios do banco. “Com um sólido balanço e uma performance operacional de referência, considero que o principal desafio estratégico do Millennium BCP para o novo ciclo de gestão, está estritamente relacionado com a capacidade do banco liderar a sua continua transformação, para se adaptar aos desafios da Era Digital, criando ciclos disruptivos de evolução na forma e função que o banco desempenha junto das comunidades das diversas geografias onde opera”.

Carlos Silva chamado como testemunha no julgamento da Operação Fizz

Carlos Silva deverá prestar declarações como testemunha no julgamento do caso Operação Fizz.

Este processo, relacionado com corrupção e branqueamento de capitais, o antigo presidente da Sonangol e ex-vice-presidente de Angola Manuel Vicente que, num processo entretanto separado da operação Fizz, é acusado de ter pago ao ex-procurador Orlando Figueira 760 mil euros para que este arquivasse inquéritos do DCIAP em que era visado, designadamente na aquisição de um imóvel de luxo no edifício Estoril-Sol.

Além de Orlando Figueira, estão em julgamento no processo Operação Fizz o advogado Paulo Blanco (que representa o Estado angolano em diversos processos judicias) e Armindo Pires, amigo de longa data e homem de confiança de Manuel Vicente em Portugal.