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Número de trabalhadores precários ainda não recuou para valores pré-troika

Marcos Borga

Em 2011, ano de chegada da troika a Portugal, o número de trabalhadores precários quadruplicou face ao ano anterior, quando afetava apenas 1,1% da população empregada. Em 2016 o número permanece idêntico: três em cada 100 trabalhadores assinaram contratos deste tipo

Os dados divulgados na passada sexta-feira pelo Eurostat, o gabinete de estatística da União Europeia, não trazem boas notícias. Portugal continua a registar um número de trabalhadores precários – isto é, que assinam contratos com duração igual ou inferior a três meses – superior ao registado antes da chegada da troika ao país. Em 2016, três em cada 100 trabalhadores assinaram contratos deste tipo.

Se um ano antes da chegada da troika, em 2010, apenas um em cada 100 trabalhadores assinava um contrato de trabalho precário, em 2011 o número de empregados nestas condições quadruplicou. Desde então, a precariedade laboral no país pouco ou nada se alterou e contínua superior à média europeia – 2,3% do total da população empregada em 2016 no Velho Continente.

As variações pouco expressivas nos sectores de actividade – que tanto aumentam como diminuem o número de contratos precários – podem estar por trás da inalteração deste panorama nacional. Entre 2015 e 2016 registaram-se recuos na indústria e na construção (-0,2%), nos serviços de restauração alojamento e transporte (-0,5%) e também nas atividades de informação e comunicação (-0,2%) . Por outro lado, também se registaram ligeiros aumentos de contratos precários no sector público (0,3%), na agricultura, floresta e pesca (0,1%) e noutros serviços (0,6%), mostram os dados do Eurostat.

A agricultura, floresta e pesca também continua a ser o sector que mais emprega precários em Portugal: cerca de 13 em cada 100 trabalhadores nesta área assinaram contratos deste tipo em 2016. Também no espaço europeu – que apenas regista dados de 16 países nesta atividade – este sector é o que mais precários emprega, oito em cada 100. Ainda assim, na Europa há menos trabalhadores a aceitarem estas condições de trabalho do que em Portugal.

O maior aumento de precariedade laboral registado no país antes e depois da troika – que ronda os 2% face ao total de população empregada – verificou-se nos serviços de restauração, alojamento e transporte, bem como nas atividades de informação e comunicação e financeiras. Embora menor, também o sector público – administração, defesa, educação, saúde e atividades sociais –registou um aumento de 1% entre 2010 e 2011.

Montenegro foi o país europeu que revelou ter mais trabalhadores precários face ao total de população empregada (9,2%) em 2016. No extremo oposto surge a Roménia (0,2%).