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Leilão de dívida. Estado paga mais a 10 anos, mas fixa novo mínimo a 5 anos

Portugal colocou esta quarta-feira €1250 milhões em dois leilões de Obrigações do Tesouro a 5 e 10 anos. Pagou 2,046% no prazo mais longo, acima da taxa no último leilão, mas abaixo do juro que pagou no lançamento em janeiro dessa linha de títulos. A 5 anos fixou um novo mínimo de 0,577%

Jorge Nascimento Rodrigues

Portugal colocou €1250 milhões nos dois primeiros leilões do ano de dívida obrigacionista, o máximo previsto para esta operação realizada pela Agência de Gestão da Tesouraria e da Dívida Pública (IGCP).

No prazo a 10 anos pagou uma taxa de colocação de 2,046% acima de 1,939% pago em novembro, mas a 5 anos fixou um novo mínimo de 0,577%, face a 0,916% pago em outubro passado. No prazo mais longo emitiu €760 milhões e no mais curto colocou €490 milhões.

Apesar de ter pago agora um juro mais alto do que em novembro passado, o Estado conseguiu colocar a nova linha de Obrigações do Tesouro (OT) a vencer em outubro de 2028 a uma taxa inferior aos juros de 2,137% que pagou na operação sindicada de lançamento desta nova linha em janeiro.

Um resultado bastante satisfatório

O leilão desta quarta-feira no prazo a 10 anos foi o primeiro da nova linha de OT a vencer em 2028 pelo que não é totalmente comparável com a linha obrigacionista com vencimento em abril de 2027 que foi a leilão em novembro passado, operação na qual o Estado conseguiu pagar a taxa mais baixa de sempre em leilões a 10 anos, abaixo de 2%.

A taxa de colocação paga a 10 anos ficou abaixo das yields no mercado secundário que se situavam em 2,086% quando decorria o leilão.

"Um resultado bastante satisfatório", sublinha Ricardo Marques, analista da consultora Informação de Mercados Financeiros. "Se considerarmos que desde o ano passado no prazo a 10 anos na Alemanha, os juros passaram de 0,43% para 0,73%, facilmente se percebe que o resultado em Portugal foi bastante satisfatório, pois apesar de, em termos nominais, estarmos a emitir um pouco mais alto, em termos relativos a perceção da dívida portuguesa está bastante melhor", refere aquele analista.

No prazo a 5 anos, a nova referência no mercado secundário já não é a linha de OT com vencimento em outubro de 2022 e que foi hoje a leilão, mas a que vence em outubro de 2023, com as yields acima de 1%.

Procura ainda mais elevada do que nos leilões anteriores

A procura por parte dos investidores foi elevada e superior à registada nos leilões similares anteriores.

A 10 anos, foi 2,08 vezes a colocação, um rácio superior a 1,57 em novembro passado. No prazo mais curto, a procura foi 3,63 vezes superior à colocação, um rácio ainda mais elevado do que o de 2,65 registado em outubro do ano passado.

No atual contexto internacional e europeu de subida generalizada das taxas de juro da dívida pública, Portugal já não deverá conseguir fixar novos mínimos históricos a 10 anos, inferiores ao conseguido em novembro do ano passado.

À mesma hora, na Alemanha, o Tesouro germânico realizou um leilão de obrigações a 30 anos, colocando €1500 milhões e pagando uma taxa de 1,33%, acima de 1,28% paga na emissão similar anterior. A procura foi de 1,29 vezes a colocação.