Siga-nos

Perfil

Economia

Economia

Portugal sobe no ranking do talento

Portugal subiu duas posições no índice global de talento

getty

O país ocupa a 29ª posição no índice mundial da competitividade do talento

Catia Mateus

Catia Mateus

Jornalista

Há boas notícias para Portugal no que respeita à forma como o país gere o seu talento. O Expresso teve acesso ao último Global Talent Competitiveness Index, o índice mundial que analisa a forma como os países atraem, gerem e retêm os seus profissionais, que demonstra que Portugal tem vindo a ganhar terreno e competitividade na gestão de talento. O estudo elaborado pela multinacional de recrutamento Adecco, em colaboração com a escola global de negócios INSEAD e a TATA Comunications, coloca Portugal na 29ª posição (entre 119 países analisados) da tabela dos mais competitivos do mundo na gestão de talento, e destaca que o país como uma referência mundial em termos de tolerância a minorias e emigrantes, numa altura em que a diversidade no mercado de trabalho é apontada como o caminho para solucionar a escassez de competências.

Entre 2016 e 2018, Portugal subiu duas posições na lista dos países mais competitivos em matéria de talento. A subida é tímida mas, segundo os autores do estudo, expressiva pelo que representa em termos globais. A progressão nacional nesta lista está muito sustentada na tolerância à diversidade e a minorias e emigrantes, que é apontada pela Adecco como “um potencial inexplorado para a competitividade” das economias. O país supera mesmo mercados como o espanhol ou o italiano que surgem na 31ª e 36ª posições da lista, respetivamente.

No relatório, que avalia as políticas e práticas que permitem a um país atrair, desenvolver e reter tanto competências técnicas e vocacionais, como competências de conhecimento global, associadas à inovação, empreendedorismo e liderança — na prática, o talento que contribui para a produtividade e prosperidade —, Portugal é destacado pela sua melhoria ao nível da retenção de talento. Esta é de resto a competência onde o país pontua melhor, situando-se na 19ª posição do ranking geral nesta categoria. Já na atratividade do mercado e nas competências geral, fica-se pela 30ª e 31ª posições, respetivamente. Onde o país permanece mais abaixo da média global é nos pilares das habilidades globais de crescimento e conhecimentos gerais (35ª posição) e nas competências profissionais e técnicas (40ª posição).

O poder da diversidade

A Suíça lidera o índice global da competitividade de talento em 2018, logo seguida por Singapura e pelos Estados Unidos da América. Oito dos países que figuram no top 10 da lista são europeus, com exceções para a segunda e terceira posições da tabela (ver infografia). Em comum, os dez países melhor posicionados tem o facto de “todos possuírem um sistema de educação bem desenvolvido, que fornece as competências sociais e de colaboração necessárias para a empregabilidade no atual mercado de trabalho”, conclui o estudo. Mas há outras características comuns entre os países líderes, como um ambiente empresarial e regulamentar flexível, políticas de emprego que combinam com uma flexibilidade e proteção social ou abertura externa e interna ao talento.

Carla Rebelo, diretora-geral da Adecco Portugal, realça a importância do fator diversidade na análise. “Este ano, o estudo centrou-se na diversidade e retenção de talentos nos países que fazem parte da amostra, bem como no entendimento do valor da diversidade”, explica acrescentando que “é interessante observar que Portugal, de facto, tem trabalhado para superar algumas barreiras, sobretudo, ao nível das minorias e emigrantes e o papel que as empresas devem ter para a sua integração, o que resulta na subida de duas posições na tabela”.

O próprio CEO do Grupo Adecco, Alain Dehaze, coloca a diversidade no centro de toda a estratégia de talento do futuro ao referir que “centrarmo-nos na diversidade e inclusão é crucial para superar as fraturas e as desigualdades da nossa era”. Para o gestor, não restam dúvidas de que “perseguir uma cultura de inclusão, iniciada em casa e na escola, e desenvolver competências sociais colaborativas, é a chave para desencadear o poder do trabalho, fazendo com que o futuro seja mais promissor”. A diversidade é apontada pelo estudo, cada vez mais, como um recurso nacional para a prosperidade e inovação e, consequentemente, uma ferramenta que pode gerar uma maior vantagem competitiva, através da captação no mercado de trabalho, de profissionais com distintas experiências, conhecimentos e formação.

Não há uma fórmula única para a diversidade e inclusão. A Suíça, por exemplo, que liderada a tabela, não apresenta uma pontuação elevada nas oportunidades concedidas às mulheres e, na generalidade dos casos, “a abertura por parte das nações no que se refere à diversidade aponta para a necessidade de colaboração, entre pessoas com diferentes conhecimentos e perspetivas”, conclui o estudo. A diversidade de género e outras formas de diversidade de identidade, no sentido de proporcionar novas oportunidades, independentemente do seu contexto socioeconómico, são também fatores de referência, tal como a abertura do país a receber imigrantes talentosos. E Portugal é um dos países referência em termos de tolerância a minorias e imigrantes. Para melhorar, o país tem, contudo, de reforçar a colaboração entre empresas para promover a partilha de ideias e a criação de ecossistemas inovadores.