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Tesla. Sucesso no espaço, perdas em terra

O descapotável já 'descolou'; as contas da Tesla nem por isso

reuters

Na semana em que anunciou perdas recordes, Elon Musk saboreou um feito histórico. O Falcon Heavy segue rumo a Marte

O magnata Elon Musk, o patrão da Tesla, prometeu e cumpriu. Na terça-feira, o foguetão gigante Falcon Heavy, o mais poderoso de todos, descolou do Cabo Canaveral, na Florida, para uma viagem de teste a Marte.

O sucesso desta operação espacial é uma excelente notícia para Musk. Mas a semana regista uma má notícia. As contas da Tesla não descolam dos prejuízos. No quarto trimestre de 2017, os prejuízos ficaram nos 675 milhões de dólares (€550 milhões), uma subida acentuada face aos 121 milhões de dólares do período homólogo. É o prejuízo mais elevado de sempre do fabricante de automóveis elétricos. Pior do que as perdas, é o adiamento de investimentos por não ter resolvido os problemas que afetam a produção do Model 3. Já nas receitas, a Tesla esteve bem. Aumentaram mil milhões de dólares para 3,39 mil milhões de dólares (€2,7 mil milhões), superando as estimativas dos analistas.

Sucesso no espaço

Perdas em terra, sucesso no espaço. A conquista do espaço está ao rubro e entra numa nova fase, depois da nova aventura de Musk. Do sucesso da viagem do Falcon Heavy depende a futura chegada do Homem ao planeta vermelho. Musk anunciara, em setembro de 2016, a intenção de levar os primeiros 100 humanos a Marte em 2022. Esta semana foi dado o primeiro passo.

Com o carimbo de produção da SpaceX, a empresa aeroespacial de Musk, o Falcon Heavy (a junção de três foguetões Falcon 9) partiu do Centro Espacial Kennedy, sob a ansiedade de centenas de pessoas que ocuparam os pontos de observação ao redor do Cabo Canaveral, ao som de David Bowie (‘Space Oddity’). E leva um carro dentro, um Tesla elétrico, claro, de cor vermelha, com um manequim vestido de astronauta ao volante.

Tudo o que podia correr bem, correu mesmo bem. O próprio Musk atribuía uma probabilidade de 50% à hipótese de o lançamento falhar. Quando na terça-feira todos os olhos se fixaram na plataforma, alugada à NASA, para assistir ao momento crucial, o Falcon Heavy não explodiu e foi possível depois recuperar, em perfeitas condições de reutilização, dois dos seus propulsores. O terceiro caiu no mar e ficou destruído, um percalço que não chega para ofuscar o brilho da operação.

A proeza da SpaceX lida com grandes números. O foguetão tem 70 metros de altura, consegue carregar 70 toneladas, precisou de uma propulsão equivalente a 18 aviões Boeing 747 para descolar e custou à Tesla 90 milhões de dólares (€72 milhões).

O custo é, a par da potência, a principal vantagem. Especialistas do sector espacial desconfiam que os números do Falcon Heavy pecam por defeito. O segredo de Musk está na reutilização dos propulsores, mas ainda assim os especialistas apontam para, numa experiência deste tipo, valores da ordem dos €300 milhões.

A mente fervilhante de Musk quer aproveitar a potência do Falcon Heavy (só superada pelo foguete lunar Saturn V, usado pela NASA nas missões Apollo) para transportar satélites mais pesados para o espaço e, no futuro, seres humanos.

Por isso, há tanto interesse em seguir a viagem de Starman, o manequim que segue ao volante do Tesla vermelho. Ele pode inspirar outras empresas para abrir caminho para um velho sonho de transformar o espaço numa rota turística. Sinal de que este é um filão atrativo é o facto de a NASA e a United Launch Alliance, a principal rival da SpaceX, estarem nesta corrida com projetos ou protótipos de foguetões iguais ao de Musk.