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Taxas de juro baixas “não são eternas”, adverte o BIG

No Seminário do BIG – Banco de Investimento Global, no Porto, especialistas lidam com cenários favoráveis à valorização dos mercados acionistas

Apesar do recente sobressalto nas bolsas mundiais, o BIG - Banco de Investimento Global lida com um cenário base favorável para 2018, matizado com os receios de uma mais rápida e ampla subida das taxas de juro nos Estados Unidos. Os mercados acomodam uma taxa a 10 anos de 3%, que compara com a atual de 2,7%.

Os investidores devem saber "que as taxas de juro baixas não são eternas", advertiu o diretor do BIG João Lampreia, numa conferência destinado aos clientes o banco que decorreu esta quinta-feira no Porto.

Uma outra advertência: os mercados acionistas, em especial o americano, não estão baratos. Os preços atuais aceitam-se se os fatores determinantes – crescimento das economias, dos lucros das empresas, liquidez e ausência de tensões inflacionistas – não desiludir . A Europa tem "mais espaço de progressão".

O BIG lida com um cenário em que “o crescimento global permanece robusto e sincronizado e os resultados das empresas crescem entre 5% e 10%”, permitindo que os fundamentais das empresas cotadas permaneçam atrativos.

Mas, uma política agressiva na subida de juros da Reserva Federal Americana (FED) pode gerar “ondas de choque imprevisíveis”, adverte João Lampreia. O mercado incorpora três ajustamentos suaves nas taxas americanas até ao fim do ano.

Maioria dos investidores acredita em subidas

Uma votação entre os 60 participantes na sessão do BIG permite concluir que os investidores permanecem otimistas e confiantes. A maioria dos clientes manifestaram a opinião de que os mercados acionistas europeus e americanos vão fechar 2018 acima dos níveis atuais – 40% acredita que o Eurostoxx 50 subirá 4% e 33% que o Standar & Poor 500 valorizará pelo menos 2%. Quanto aos fatores de risco, a maioria (52%) dos inquiridos apontou a “reversão das políticas de taxas de juro”.

O diretor do BIG explica a recente turbulência nos mercados pela conjugação “dos receios inflacionistas” com a estratégias para manter constante o nível de volatilidade (risco). Os investidores “que estavam curtos em volatilidade engrossaram a maré vendedora”.

João Lampreia considera que o sobressalto desta semana teve a virtude “abanar os investidores” e dissipar um “sentimento de complacência” que se instalara, suportado por um ciclo de expansão tão longo.

Na conferência do BIG, as opiniões de operadores e analistas coincidiam. Não há sinais para temer uma recessão, o recente ajustamento foi uma correção saudável, mas os investidores terão de lidar agora com um ambiente de volatilidade e maior risco.


Banco centrais ajudam

Miguel Luzárraga. diretor da divisão ibérica do JP Morgan Asset Management, alinha pelos otimistas, acreditando que “há espaço para a valorização dos ativos”. O cenário “é de um crescimento económico sem pressões inflacionistas”, as cotações “não estão a níveis extremos” e a política monetário dos bancos centrais “será prudente e favorável” mercados. Eventuais quedas mais fortes “abrem oportunidades de compra que devem ser aproveitadas”, defende Miguel Luzárraga.

A Pictet Asset Management, uma das grandes gestoras de ativos mundiais, adotou uma visão mais prudente no seu mais recente barómetro, apesar de manter confiança nos mercados acionistas.

Inflação, resultados das empresas e crescimento económico são os fatores a monitorizar e que poderão condicionar a evolução futura das bolsas.

"A correção recente foi saudável. Com as informações disponíveis, não se vislumbra uma mudança do ciclo no curto prazo ", refere Tiago Forte Vaz, diretor para o mercado português. Mas, nove anos de valorizações podem induzir algum cansaço.

O mundo dos fundos temáticos

Tiago Forte Vaz apresentou aos clientes do BIG a lógica dos fundos temáticos, uma das especialidades da Pictet Asset Management. Quando em 2000 os investidores se concentravam nas dotcons, já a Pictet AM apostava nos fundos temáticos, como o da água, baseados nas megatendências.

A partir da exposição a algumas das 14 megatendências (envelhecimento da população, sustentabilidade, desenvolvimento tecnológico, etc) a gestora suíça identifica temas de investimento e cria um universo de empresas, selecionando depois as que se revelam melhores oportunidades de investimentos. Cada fundo está associado a algumas "das forças que estão mudar o nosso mundo", diz Tiago Forte Vaz.

A diferença para os fundos setoriais "é o caráter transversal e multidisciplinar dos fundos temáticos" que podem incluir empresas de diferentes setores e indústrias. As estratégias temáticas na Pictet são tão distintas como Água, Robótica, Segurança, Nutrição ou Biotecnologia. A abordagem temática incorpora uma visão de longo prazo e pode, por isso, "beneficiar das ineficiências criadas por um mercado demasiado concentrado no curto prazo”, diz Tiago Forte Vaz.