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Bruxelas revê em alta previsões de crescimento para Portugal mas aponta para desaceleração

A expansão do terminal XXI, de contentores, em Sines, é um dos projetos que procura investidores e financiadores

António Pedro Ferreira

Previsões de défice e consolidação orçamental – ponto de discórdia com o Governo – fora das Previsões de Inverno divulgadas esta manhã

Bruxelas mudou de método e nas previsões económicas de inverno olha agora apenas para o crescimento económico e para inflação. Isto, para todos os países. No caso português diz que o crescimento está a "consolidado" e até revê em alta os números para 2017, 2018 e 2019.

Para 2018, dá agora razão à previsão de 2,2% de Mário Centeno - no outono falava num crescimento do PIB de 2,1%. Já no que diz respeito ao ano passado está até mais otimista do que a previsão de 2,6% do Governo e aponta para os 2,7%. A subida de um ponto percentual reflete-se também na estimativa de 2019, que passa de 1,8% para 1,9%.

"Tanto as exportações como as importações tiveram uma forte performance em 2017, refletindo o otimismo do sentimento económico por toda a Europa e o aumento da capacidade do maior produtor automóvel em Portugal", escrevem os técnicos da Comissão. Logo a seguir alertam também para uma "moderação no comércio externo no horizonte temporal" e para o consumo interno, "cujo contributo para o crescimento poderá cair após uma forte performance em 2017".

"De uma forma geral, estima-se um crescimento do PIB de 2,7% em 2017, e um abrandamento para 2,2% em 2018 e 1,9% em 2019", concluem. Valores que este ano e no próximo colocam Portugal ligeiramante abaixo da média de crescimento quer na Zona Euro quer na União Europeia.

Desemprego, dívida e défice fora das previsões

Fora das previsões de inverno ficaram as habituais estimativas para o desemprego, dívida, défice nominal e défice estrutural.

Nas estimativas de outono, Bruxelas alertava para a falta de consolidação orçamental exigida pelas regras, confirmada depois na avaliação do Orçamento português para 2018, onde assinalava o risco de desvio significativo da redução do défice estrutural.

A divergência entre as Finanças portuguesas e os técnicos de Bruxelas sobre as contas do défice estrutural são conhecidas e recorrentes, com o ministro português e Presidente do Eurogrupo a desvalorizar sempre os alertas e cálculos da Comissão e a garantir que Portugal conseguirá reduzir o parâmetro em 0,5% do PIB em 2018.

Numa altura em que já só França e Espanha estão no Procedimento por défice Excessivo, Bruxelas decidiu voltar ao método utilizado até 2011 - ano do resgate português e do segundo resgate grego - e tornar as Previsões de Inverno em "intermédias" e menos exaustivas.

A partir de agora, a Comissão passa a publicar duas previsões completas - na primavera e no outono - e duas intermédias - no verão e no inverno, justificando que está em linha com o que fazem outras instituições, como o Banco Central Europeu e o Fundo Monetário Internacional.

Bruxelas fala em crescimento "sólido" na UE e Zona Euro

De um modo geral, a Comissão volta a mostrar-se satisfeita com o crescimento europeu. "As taxas de crescimento na Zona Euro e na UE bateram as expectativas no ano passado e a passagem da recuperação económica à expansão continua", diz em comunicado.

"A área do Euro e as economias europeias deverão ter crescido 2,4% em 2017, o maior ritmo da década", continuam, antecipando que "o desempenho robusto deverá continuar em 2018 e 2019 com um crescimento de 2,3% e 2%, repetivamente, tanto na Zona Euro como no conjunto da UE", conclui o executivo comunitário.