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Nuno Artur Silva lamenta “campanha difamatória reles” que ditou a sua saída da RTP

Nuno Artur Silva Administrador da RTP

Alberto Frias

Administrador da RTP agradece no Facebook as “dezenas e dezenas e dezenas de mensagens” de apoio que tem recebido desde que foi conhecida a decisão do CGI de não o reconduzir no cargo. Uma decisão que diz ter sido consequência de “uma campanha difamatória reles, miserável, sem escrúpulos” e “bem sucedida”

O administrador com o pelouro dos conteúdos da RTP, Nuno Artur Silva, usou o Facebook para abordar publicamente, pela primeira vez, a decisão do Conselho Geral Independente da RTP de não reconduzi-lo no cargo para um novo mandato de três anos. Fê-lo para "agradecer todas as dezenas e dezenas e dezenas de mensagens que por todos os meios" diz ter recebido de "amigos, conhecidos, desconhecidos". Mas também aproveitou para deixar críticas implícitas ao processo que conduziu à sua não recondução.

Sem referir-se diretamente à decisão do CGI, Nuno Artur Silva diz que foi "alvo de uma campanha difamatória reles, miserável, sem escrúpulos", lançada "precisamente neste momento" e "com o intuito de impedir" a sua continuidade na RTP. Uma referência às várias notícias que foram publicadas nas últimas semanas sobre as incompatibilidades que teria no exercício do cargo - por não se ter desfeito ainda da sua participação na empresa Produções Fictícias - e a polémicas internas suscitadas na RTP pela Comissão de Trabalhadores, pelo mesmo motivo.

Defendendo que essa foi uma "campanha bem sucedida", o ainda administrador da RTP diz que foi nos últimos dias "inundado por manifestações de pessoas que, não tendo contacto com tablóides onde trabalham pessoas que se fazem passar por jornalistas e que representam a pior escumalha da comunicação social", lhe dizem que "não percebem o que se passou e que estão a gostar cada vez mais desta RTP e a encontrar nela a evidência de serviço público".
"Foram três anos empolgantes em que, com excelentes equipas, pudemos concretizar muito do que acreditávamos que devia ser feito. Agora é tempo de regressar ao meu lugar de sempre: um qualquer sítio onde possa ter ideias, escrever e desenvolver projectos com outras pessoas. Continuarei sempre a fazer o que gosto. Com quem gosto. Tenho os inimigos certos. Que mais posso desejar?", conclui.
Recorde-se que no comunicado divulgado na semana passada pelo CGI - e onde foi anunciado que só o presidente da RTP, Gonçalo Reis, seria convidado para manter-se em funções num próximo mandato -, a não continuidade de Nuno Artur Silva foi justificada com o facto a sua eventual recondução ser "incompatível com a irresolução do conflito de interesses entre a sua posição na empresa e os seus interesses patrimoniais privados, cuja manutenção não é aceitável". Isto apesar de o próprio CGI admitir que "no âmbito das suas funções de supervisão e fiscalização", não verificou "que isso tenha sido lesivo da empresa, no decurso do seu mandato".
Aliás, no mesmo comunicado, o CGI reconhece o "modo altamente meritório e sucessivamente reconhecido pelas instâncias de escrutínio da empresa" como Nuno Artur Silva liderou a "reconfiguração estratégica da política de conteúdos da empresa, numa ótica de serviço público de media".
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