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Juros da dívida pública do 'centro' da zona euro disparam em janeiro

Juros das obrigações alemãs a 10 anos sobem 63% no primeiro mês do ano e lideram subidas no mercado secundário da dívida soberana. As exceções foram Espanha e Grécia, onde os juros desceram. Portugal e Itália registaram subidas marginais

Jorge Nascimento Rodrigues

Os juros (yields) dos títulos de dívida pública das economias do centro do euro registaram subidas assinaláveis em janeiro no mercado secundário, com destaque para a Alemanha e Holanda.

A especulação nos mercados sobre uma aceleração em 2018 da normalização da politica monetária expansionista do Banco Central Europeu está a alimentar esta subida do custo de financiamento da dívida, ainda que o conselho do banco central continue a reafirmar a estratégia sequencial e gradual para uma futura descontinuação dos estímulos monetários.

O próprio encerramento definitivo do programa de compra de ativos, que se estende até setembro, não foi ainda discutido, e a sua 'morte súbita' parece estar fora de jogo. Mario Draghi considerou, também, como pouco provável uma primeira subida das taxas diretoras ainda em 2018.

No caso dos periféricos do euro, a situação de evolução dos juros em janeiro foi diversa, com um disparo de 68% no caso dos títulos irlandeses, subidas marginais para a dívida portuguesa e italiana, e descidas para as obrigações espanholas e gregas.

Subida dos juros na Alemanha em destaque

O facto mais marcante ocorreu com a Alemanha, cuja custo da dívida serve de referência na zona euro. No prazo de referência a 10 anos, os juros das obrigações alemãs dispararam 63% e os relativos aos títulos holandeses subiram 41,5%. No caso das obrigações francesas, o aumento foi de 27%.

Os juros dos título alemães no prazo de referência subiram de 0,43% no final de 2017 para 0,7% no final de janeiro, fixando um máximo desde setembro de 2015. No caso dos títulos holandeses, a subida foi de 0,53% para 0,75%, no mesmo período. Para as obrigações francesas, o aumento foi menor, de 0,78% para 0,99%, naquele período, aproximando-se do limiar de 1%. Limiar que foi ultrapassado pelos juros dos títulos irlandeses, que saltaram de 0,68% no final do ano passado para 1,14% esta quarta-feira.

De assinalar, ainda, que esta quarta-feira, pela primeira vez em mais de dois anos, os juros das obrigações alemãs a 5 anos fecharam em terreno positivo. Subiram de -0,2% no final de 2017 para 0,04% agora. Juros negativos significam que os investidores 'pagam' para ter em carteira estes títulos. Esta situação de exceção está a recuar cada vez mais para prazos mais curtos.

Juros portugueses a 10 anos abaixo de 2%

Os juros das Obrigações do Tesouro português (OT) no prazo de referência fecharam janeiro em 1,95%, apenas dois pontos-base acima do encerramento em dezembro, uma subida ligeira de 1%.

No entanto, trata-se de uma comparação entre duas linhas de OT a 10 anos distintas; em dezembro, a referência era a linha que vence em 2027 e agora passou a ser a linha que vence em 2028.

A nova linha de OT foi lançada no início de janeiro e o Tesouro teve de pagar 2,137% na operação de sindicação. Agora, no mercado secundário, os juros dessa linha já estão abaixo de 2%. No último leilão da linha que vence em 2027, realizado em novembro passado, o Estado pagou 1,939%, a taxa mais baixa de sempre naquele tipo de operações.

O custo de financiamento da dívida portuguesa é hoje mais baixo do que o italiano. No prazo de referência, os juros italianos estão acima de 2% enquanto os portugueses estão abaixo.