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Juros da Alemanha e EUA em alta, mas contágio não chega a periféricos do euro

FABRIZIO BENSCH / REUTERS

Taxas das dívidas alemã e norte-americana estão em ligeira queda, depois de ontem terem atingido máximos de vários anos. Juros da nova obrigação portuguesa a 10 anos abaixo de 2%

Jorge Nascimento Rodrigues

Os juros da dívida da Alemanha e EUA têm apresentado uma tendência de subida desde o final do ano passado e não se espera que invertam a trajetória, apesar de as taxas terem recuado ligeiramente esta terça-feira depois dos máximos de vários anos atingidos ontem.

Os juros a 10 anos da Alemanha situam-se, nesta altura, em 0,68%, um ponto-base (0,01 pontos percentuais) abaixo do fecho de ontem. No caso dos títulos norte-americanos, no mesmo prazo, os juros registam, agora, 2,7%, depois de ontem terem chegado a um máximo de quase quatro anos, quando subiram para 2,73% durante a sessão.

Este movimento altista ainda não contagiou os periféricos do euro.

Durante a sessão de ontem, os juros das Bunds (designação das obrigações alemãs) a 10 anos atingiram 0,71%, um máximo desde setembro de 2015. Acabaram por fechar em 0,69%, uma subida de 26 pontos-base (equivalente a 0,26 pontos percentuais) em relação ao encerramento de 2017.

A alta é, ainda, mais gritante no caso das obrigações alemãs a 5 anos, que subiram de -0,2% no final do ano para -0,019% no fecho de segunda-feira. Durante a sessão de ontem, chegaram a estar em terreno positivo, o que já não sucedia desde 2015. A subida, neste prazo, foi de 150% nas últimas cinco sessões.

No mercado norte-americano, os juros das US Treasuries (designação das obrigações dos EUA) fecharam na segunda-feira em 2,7%, um máximo desde março de 2014. Desde o final do ano, já subiram 30 pontos-base (0,3 pontos percentuais). No caso dos títulos a 2 anos, os juros fecharam em 2,13%, o nível mais elevado em 10 anos.

Juros da dívida portuguesa abaixo de 2%

Esta subida não está a contagiar, por ora, os periféricos do euro. Os juros da nova linha de Obrigações do Tesouro (OT) português a 10 anos fecharam na segunda-feira em 1,95% e continuam em trajetória descendente esta terça-feira de manhã.

Desde o lançamento da nova linha de referência da OT a 10 anos, os juros caíram 19 pontos-base (0,19 pontos percentuais) no mercado secundário. O Tesouro pagou 2,137% na operação de sindicada da nova linha realizada a 10 de janeiro.

No caso de Espanha, o Tesouro pagou 1,451% na operação de sindicação da nova linha a 10 anos realizada a 23 de janeiro e os juros estão em queda para menos de 1,4% no mercado secundário. Os juros italianos mantêm-se em 2%.

Expetativa de ‘normalização’ mais rápida da política monetária

A subida dos juros na Alemanha e nos EUA deve-se ao otimismo sobre o andamento da economia mundial, e em particular à consolidação da retoma económica nas economias desenvolvidas.

Os mercados apostam em uma ‘normalização’ mais acelerada da política monetária expansionista dos principais bancos centrais em 2018. O choque fiscal da Administração Trump e algum travão político no abrandamento da economia chinesa levaram o Fundo Monetário Internacional, na semana passada, a rever em alta as previsões de crescimento global para 2018 e 2019.

Os mercados estão a apostar em três subidas das taxas diretoras da Reserva Federal norte-americana (Fed) ao longo de 2018 e na alteração da orientação futura (forward guidance) por parte do Banco Central Europeu (BCE) já em março ou em junho.

Os analistas esperam que, à mudança de comunicação da estratégia por parte da equipa de Mario Draghi ainda no primeiro semestre, se siga no final de setembro o fim dos prolongamentos do programa de compra de ativos.

No entanto, a opção a tomar ainda não foi discutida no conselho do BCE, como referiu o seu presidente na semana passada. Draghi sublinhou que estão em cima da mesa três opções – prolongamento, redução gradual até zero de compras por um período limitado, ou paragem súbita. Esta última, opção parece estar fora de jogo, segundo a Bloomberg, que, citando fontes do BCE, refere que, mesmo entre os ‘falcões’ (como Jens Widemann, presidente do banco central alemão), não colhe apoio. O consenso parece inclinar-se para um descontinuação gradual até final deste ano.