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Oxy tem Prio à venda

Gestora de ativos já recusou duas propostas superiores a €100 milhões apesar da vontade da banca de que o negócio avance

A sociedade Oxy Capital, que controla a Prio Energy desde 2013, já recebeu duas ofertas de aquisição sobre a empresa de combustíveis, em 2015 e 2016, mas não aceitou nenhuma. O Expresso sabe que os bancos credores, nomeadamente o Novo Banco e o BCP, eram e são favoráveis à alienação da Prio, só que o poder de decisão da Oxy falou mais alto. Apesar da resistência inicial, a sociedade de capital de risco tem a Prio à venda, segundo foi possível apurar junto de várias fontes.

Um dos interessados na Prio, a empresa Petrin, assegurou ao Expresso ter uma reunião marcada para fevereiro com a Oxy para discutir a potencial aquisição da empresa fundada pela Martifer em 2006 e que conta com 240 postos de combustível de norte a sul do país. A Oxy Capital não quis comentar.

A Petrin, que gere 38 postos em Portugal (na sua maioria com a marca BP), com uma faturação anual de €40 milhões, chegou a apresentar à Oxy em 2015 uma oferta não vinculativa para adquirir a Prio, num intervalo de preços que chegava a superar os 100 milhões de euros. “Não houve grande recetividade”, contou ao Expresso o presidente da Petrin, Pedro Bento. “Ainda não desistimos”, acrescentou o empresário, revelando que em dezembro enviou à sociedade de capital de risco uma carta, com cópias para o Novo Banco e para o BCP, a reiterar o interesse na Prio. E teve resposta da Oxy, que agendou uma reunião para fevereiro.

Há pouco mais de um ano a sociedade de capital de risco recebeu uma oferta de outro interessado na Prio. Mas voltou a recusar. “Fizemos uma proposta vinculativa a 18 de novembro de 2016 à Oxy Capital, que achou por bem não vender”, afirma Adelino Martins, empresário que lidera o Grupo Martins, dono de mais de duas dezenas de postos de combustíveis, boa parte dos quais também sob a bandeira BP. A proposta ultrapassava os 120 milhões de euros mas “foi quase ignorada”, lamenta Adelino Martins. “Não desistimos de comprar”, acrescenta o empresário.

BP está na corrida

A própria BP está na corrida. “Já formalizámos junto dos bancos e da Oxy Capital o nosso interesse em avaliar a operação”, revelou o presidente-executivo da BP Portugal, Pedro Oliveira, ao Expresso. O gestor também admite que se a Prio for parar a outras mãos, a BP pode estar interessada em parcerias. “Poderemos fazer acordos com qualquer empresário credível que queira crescer connosco”, declarou o gestor ao Expresso, lembrando que dos 430 postos que a BP opera em Portugal, apenas 40% são propriedade da multinacional, sendo 60% detidos por terceiros.

Por que motivo a Oxy Capital já recusou duas ofertas? Os fundos de reestruturação rendem às sociedades gestoras comissões calculadas como uma percentagem do valor do ativo gerido, pelo que quanto mais tempo esse ativo ficar em carteira mais faturam aquelas sociedades. Terá isso contribuído para a resistência da Oxy à venda? Ou as propostas eram desajustadas do real valor da Prio?

Oxy aponta 
valorização do ativo

A Oxy Capital não esclareceu o porquê da recusa de duas ofertas em 2015 e 2016, mas nota que, em conjunto com a equipa de gestão, “o foco tem sido valorizar a Prio e torná-la uma empresa de referência no sector”. Em quatro anos a rede de postos duplicou. “Apesar da concorrência das grandes petrolíferas do mercado nacional, a quota de mercado na distribuição de combustíveis duplicou, passou de 5% para 10%”, indica a Oxy, notando que também o resultado operacional duplicou, para mais de €30 milhões por ano. “Em virtude deste desempenho operacional, a Prio tem vindo a gerar um interesse vasto de diversas entidades, inclusive de concorrentes”, acrescenta a empresa.

“A Oxy Capital e a equipa de gestão continuam empenhados em fazer crescer a Prio como empresa que gera valor, concorrência e postos de trabalho para o país”, diz ainda a sociedade presidida por Miguel Lucas.

Tanto Adelino Martins, do Grupo Martins, como Pedro Bento, da Petrin, asseguram que as suas ofertas estavam devidamente suportadas pelo apoio da banca e de outras entidades para financiar a aquisição.

Irá a marca Prio sobreviver? Atendendo a que tanto o Grupo Martins como a Petrin são parceiros de longa data da BP, não é de excluir o cenário de conversão dos postos para a bandeira multinacional. Mas o empresário Adelino Martins admite que “a marca Prio é boa”. Hoje, a Prio fatura 850 milhões de euros por ano e emprega quase 600 pessoas.

Certo é que a pressão para a Oxy Capital alienar a empresa adquirida em 2013 se intensificou. E poderá mudar a relação de forças no mercado dos combustíveis rodoviários em Portugal, que, excluindo os hipermercados, ainda é liderado pela Galp.