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Descodificador: creche e aparece

Não será por falta de apoio social aos filhos dos trabalhadores que a Autoeuropa irá parar. A produção do T-Roc continua dentro da normalidade

A Segurança Social vai dar um apoio exclusivo à Autoeuropa?

Não. Os apoios do Estado a creches das IPSS (Instituições Particulares de Solidariedade Social) que acolham crianças para lá do horário normal já existe há anos e abrange todo o país. Ao todo são 953 as creches que, a nível nacional, recebem apoios por funcionarem para lá das 11 horas regulamentares diárias. A Autoeuropa será apenas mais um caso e não beneficia de nenhum regime de exclusividade. Por estes dias decorrem reuniões técnicas entre o departamento de recursos humanos da empresa e responsáveis da Segurança Social da região de Setúbal para averiguar a disponibilidade de vagas para os filhos dos trabalhadores da Autoeuropa que laboram no fim de semana.

O diferendo entre trabalhadores e empresa fica resolvido?

O conflito laboral mais recente na Autoeuropa dura há meses e parece longe de estar resolvido. A questão do apoio das creches nos fins de semana é apenas uma das exigências de um vasto caderno reivindicativo que agora fica, para já, solucionada. Os horários de trabalho, os aumentos salariais, os apoios na saúde, os tempos de paragem, entre muitos outros, são dossiês que continuam em aberto. Está em curso uma espécie de ‘guerra do tempo’ protagonizada por trabalhadores, sindicatos e administração, onde o objetivo é ver quem cede primeiro. Isto, numa altura em que a Autoeuropa enfrenta a maior encomenda de sempre desde a sua existência: 240 mil carros por ano.

A produção do novo modelo T-Roc está assegurada?

A produção do novo modelo da Volkswagen está a decorrer conforme o previsto pela Autoeuropa. Diariamente estão a sair 860 novos carros de Palmela, dos quais 60% são T-Roc, o modelo com que a VW se propõe disputar o concorrido mercado mundial dos desportivos utilitários citadinos (SUV — sport utility vehicle). Além deste modelo, em Palmela ainda se produzem o VW Sharan e o Seat Alhambra. O T-Roc é uma aposta da marca alemã para vendas em massa em todo o planeta, num segmento que atualmente beneficia de uma procura ímpar sobretudo por parte das famílias. Palmela foi escolhida para este passo de gigante, o que pode catapultar a Autoeuropa para a primeira divisão internacional da produção automóvel.

A VW pode mudar 
o T-Roc para outro país?

Como se trata de um modelo estratégico para a marca alemã os seus gestores farão tudo para assegurar a respetiva produção. Se não for em Palmela será noutra fábrica qualquer. Como é óbvio, uma eventual troca de país, não se trata de uma opção a tomar de ânimo leve. Para a Autoeuropa acolher o T-Roc foram ali investidos quase 700 milhões de euros. Mas também é verdade que, num colosso automóvel mundial (como é a VW), a fábrica de Palmela representa apenas 1% da sua produção à escala global. Para já, a produção do T-Roc está garantida até final de junho. O que vier a seguir dependerá totalmente da vontade das partes envolvidas neste processo negocial. Mas o fantasma da deslocalização está presente e, em apenas um ano, a VW pode transferir uma linha de montagem.