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BPI vende quarteirão na Baixa de Lisboa

O imóvel do BPI ocupa um quarteirão inteiro e tem frentes para a Rua Augusta, Rua de São Julião, Rua do Comércio e Rua do Ouro

d.r.

Imóvel fica a poucos metros do Arco da Rua Augusta e do Terreiro do Paço e tem um terraço com vista para o rio Tejo

Ana Baptista

Ana Baptista

Jornalista

Os bancos também têm estado a aproveitar o bom momento que o imobiliário nacional está a atravessar para vender parte dos seus edifícios, alguns deles emblemáticos. O BPI é o mais recente exemplo disso. O banco presidido por Pablo Forero acaba de colocar à venda o seu principal e mais antigo imóvel em Lisboa, um quarteirão inteiro situado na Baixa, em frente ao Museu do Design e mesmo junto ao Arco da Rua Augusta e ao Terreiro do Paço.

A razão para vender agora não podia ser mais simples. “Estamos numa altura em que há mercado para edifícios destes. É claramente uma oportunidade. Há uns anos não havia tanta procura”, explica ao Expresso fonte do BPI. Além disso, acrescenta, “trata-se de uma racionalização e gestão normal dos recursos. Esta zona alterou-se muito. Antes era a zona financeira e agora já não é, já não há aqui quase bancos nenhuns, e também já não é tão prática para trabalhar como era antes. Além disso, sendo edifícios mais antigos, têm sempre algumas condicionantes em termos de utilização de espaço”.

No total, o imóvel é composto por cinco edifícios do século XVIII, de arquitetura pombalina, que a empresa foi angariando e ligando entre si e que perfazem hoje 11.100 metros quadrados de área acima do solo. “O BPI tem uma história e ao longo dos anos comprámos vários bancos que também ali estavam, como o Fonsecas & Burnay e o Pinto & Sottomayor, e os edifícios foram-se juntando”, conta. É, portanto, “um imóvel especial, tem uma frente para a Rua Augusta, uma para a Rua do Comércio, outra para a Rua de São Julião e outra para a Rua do Ouro. De certeza que terá procura”, salienta a mesma fonte do banco.

E, de facto, está a ter procura. De acordo com Fernando Vaz Costa, diretor da área de promoção da JLL, que no final do ano passado foi mandatada em regime de exclusividade para mediar a operação, o “imóvel está a ser um sucesso de interesse” e só foi colocado à venda a 15 de janeiro. “Abrimos aquilo a que chamamos de processo competitivo de venda, ou seja, enviámos cartas para uma lista de contactos bastante extensa, na sua maioria investidores internacionais, de todas as nacionalidades, mas também alguns nacionais e agora vamos fazer as visitas que começaram no sábado [21 de janeiro]. Têm de ser ao fim de semana quando o imóvel está vazio”, explica Fernando Vaz Costa, um dos responsáveis pela operação.

Os interessados têm depois de enviar as propostas com as ofertas de compra até ao dia 23 de fevereiro deste ano, para depois o BPI e a JLL as analisar e entrar em processo de negociação com os investidores que apresentarem as melhores ofertas. Tanto o BPI como a JLL se escusaram a revelar a avaliação que fizeram do imóvel, justificando que isso poderia adulterar e comprometer a operação e as ofertas.

Findo o processo de negociação, será então escolhido um vencedor, o que só deverá acontecer mais perto do final deste ano, porque só por essa altura é que o imóvel estará totalmente vazio. Esse foi a deadline que o BPI definiu para colocar as “centenas de pessoas” que trabalham neste imóvel da Baixa nos quatro outros espaços que tem espalhados na capital. “Temos uma torre perto do Saldanha, na Casal Ribeiro, que era a antiga sede do Banco de Fomento Nacional, temos o edifício Jean Monet — onde está a Comissão Europeia — que é nosso, temos espaços na Torres de Lisboa e um edifício na Braancamp, em frente à Loja das Meias”, adianta a mesma fonte do banco. Não vão, por isso, precisar de construir nenhum edifício novo para instalar estes trabalhadores, o que para a mesma fonte foi também uma das razões para poder avançar com a venda.

Imóvel com “potencial enorme”

De acordo com Fernando Vaz Costa este não é um ativo que apareça no mercado todos os dias. Tem uma dimensão considerável — é um quarteirão inteiro — e está “numa localização ímpar”, mesmo no centro da Baixa, onde não há muitos imóveis do género à venda, mas para onde há muita procura. Além disso, trata-se de um imóvel que “está em boas condições, tanto exteriores como interiores, e que vai ficar vazio até ao final do ano porque o banco vai sair dali”. É, por isso, um imóvel que pode ser reabilitado em qualquer tipo de uso ou mesmo para uso misto, por exemplo incluindo lojas no piso térreo porque, “há muita procura de espaços ali e principalmente de marcas mais caras”.

Segundo Fernando Vaz Costa, pode dar para transformar num hotel porque “neste momento temos turistas e empresários com dificuldade em marcar quarto e precisamos de mais capacidade. E mesmo que o turismo não continue a crescer como está, vai continuar a crescer”. Ou pode dar para habitação, porque tem havido cada vez mais procura naquela zona e a oferta que aparece é vendida rapidamente.

Por exemplo, mesmo em frente ao imóvel do BPI, do lado da Rua do Comércio, e ainda mais próximo do Terreiro do Paço, está em construção o empreendimento Arco Augusta. Era a sede histórica do Novo Banco, que o vendeu recentemente, e está agora a ser transformado em 28 apartamentos de tipologias T0 a T2, com áreas entre 57 metros quadrados e 141 metros quadrados e com preços entre €425 mil e €900 mil. Só vai ficar pronto em 2019, mas já só tem sete apartamentos para venda, segundo o site da mediadora de luxo Porta da Frente, responsável pela comercialização.

Não há por isso dúvidas que o imóvel do BPI tem “um potencial enorme”, remata Fernando Vaz Costa.